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Amnistia condena proibição do véu integral em França

A maioria de direita no parlamento francês aprovou a proibição do uso do véu integral. A Amnistia Internacional diz que é "uma violação dos direitos de liberdade de expressão e de religião".
A lei da direita francesa pode provocar o aumento do uso das burqas ou niqabs no país, temem os investigadores sociais. Foto bbcworldservice/Flickr

"No geral, os direitos de liberdade de religião e de expressão garantem a todos a liberdade de escolher o que usar ou não. E esses direitos não podem ser limitados, simplesmente porque alguns - ou uma maioria - consideram esta forma de vestir objectável ou ofensiva", acrescentou John Dalhuisen, um dos responsáveis da AI na Europa.

Os deputados da UMP garantiram a maioria dos votos a favor da proibição do véu islâmico integral em espaços públicos, com os socialistas (à excepção de três deputados) e os ecologistas a recusarem-se a participar na votação. O mesmo se passou com os deputados do PCF, à excepção de André Guerin, o relator da comissão que preparou a lei proposta pelo governo e que é um dos seus maiores defensores, com argumentos em torno da luta contra o fundamentalismo islâmico.

Jean Glavany, deputado do PS, explicou a difícil posição do seu partido neste debate: "Muitos de nós não podíamos votar contra o texto, porque somos contra o uso do véu integral. Mas não podemos votar a favor porque o debate sobre a burqa faz parte das manobras do governo sobre a questão da identidade nacional. E a abstenção seria difícil de explicar à opinião pública".

A lei será ainda votada no Senado e depois sujeita ao crivo do Conselho Constitucional, por iniciativa do próprio governo. Ela multa com 150 euros o uso em espaços públicos do véu integral (também conhecido como burqa ou niqab), a que acresce a obrigação de frequência num "curso de cidadania". As penas mais pesadas vão para quem seja condenado por obrigar as mulheres ao uso do véu integral: um ano de prisão e multa até 30 mil euros.

"Não acredito que chegaremos a ter tumultos violentos, mas o facto é que essa lei vai ampliar o sentimento de comunitarismo dos muçulmanos, bem ao contrário do que ela pretende. Ao querer forçar as muçulmanas a portarem-se de outra forma, o Estado actua como agente autoritário, e não conciliador", afirmou Fabrice Dhume, especialista em racismo e discriminações do Instituto Social e Cooperativo de Pesquisas Aplicadas, ao Portal Terra.

"É muito perigoso o que está a acontecer. O Estado não está pronto para aceitar o choque de civilizações de que está a ser palco e procura meios para encerrá-lo à força", diz o investigador, que prevê uma reacção das mulheres muçulmanas no sentido do reforço da adopção do véu integral.

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Comentários

Caros amigos,

Queria começar por dizer que me considero de esquerda e que sempre votei Bloco mas deixem-me discordar um pouco com este tema.

Nunca se esqueçam que usar o veu islâmico nao é liberdade, é opressão. Opressão contra as mulheres, mascarada de religião.
Eu vivo fora de Portugal e considero que quem se muda de um país para o outro, só tem é que se adaptar ao estilo de vida do país de destino. Se não gosta, que volte para o de origem. Para bem do nosso futuro, os emigrantes têm que se misturar com a populaçao local e nao criar guetos.
Agora o que nao posso considerar normal é que em França ande gente na rua com um véu integral.
Até por questoes de segurança e identificaçao das pessoas, acho que isso não se pode admitir.

Sou sociologa, apoio a esquerda francesa e sempre apoiei a esquerda portuguesa!
Estou a viver em Paris desde 2007 e sinceramente estou de acordo com a medida, passo a explicar, em 2008 tive a oportunidade de fazer pesquisas dentro deste âmbito, largas horas de entrevistas a mulheres que optam (ou não) por utilizar o véu integral.
Em estudo 60% de mulheres de bairros problematicos, entre estas 60%, 55% afirmam serem obrigadas, ou pelo marido, ou pelos pais, ou pelos irmãos mais velhos a se esconderem fisica e mentalmente da sociedade através da utilização da burqa.
Lembro-me de falar com uma jovem senhora de 27 anos que me dizia que a condução era infernal, nos dias de chuva, ou quando a noite esta para cair, ela assume não ter capacidades visuais a 100% para poder guiar em segurança.
Muitas jovens sonhavam casar com um francês, muitas outras que o marido as deixa-se!
A burqa é para uma maioria uma imposição!

Caro Paulo, compreendo o que diz e é difícil defender o uso do véu que é, sem dúvida, um sinal de opressão masculina. Mas ideias não se mudam à paulada nem por decreto, como se diz no artigo, medidas legislativas contrárias só reforçam estereótipos de «nós» contra «eles». A única alternativa é o debate ideológico que medidas como esta acabam por rechaçar.
A saída só poderá estar nas exigências que aquelas mesmas mulheres, e não outros/as por elas, ainda que bem intencionados, venham a fazer num futuro próximo na área das liberdades individuais e contra a opressão patriarcal, retirando em definitivo a questão da arena religiosa onde fundamentalistas dos dois lados a querem acantonar. Porque nesse terreno só eles estão em jogo, as outras/os, são meros espectadores.

Como é possível que façam uma leitura tão inviesada da liberdade? Complexos de esquerda? Que grandessíssimo disparate. O que está VERDADEIRAMENTE EM CAUSA, é a liberdade das mulheres, dos indivíduos, o direito fundamental de se assumirem , sem tabus, sem medos sem restrinções ideológicas, políticas e religiosas.A religião é um dos ópios do povo, castradora, opressora. Como é possível defender a opressão religiosa?

Eu vivi em França alguns anos e sigo por isso com muito interesse o debate em torno do véu. Esta é uma discussão que ao contrario do que se pensa já se arrasta há anos. Eu lembro-me que a primeira vez que este assunto começou a ser discutido se nomeou uma comissão de sábios para estudar o que fazer e que esta chegou à conclusão (e ao revés do que pensava inicialmente o seu presidente) de que havia forças proselitas a actuarem com muita intensidade em França e que a maioria das mulheres era obrigada a usar o véu em vez de o usar de livre vontade. A comissao concluiu então que se devia proibir o uso do véu ja que o direito a usá-lo era menos importante do que proteger da coação as mulheres que não o desejam.
Considero a decisão muito sábia.

Concordo com a proibição e como os comentários do Paula, da Andreia e do Paulo. Em Roma sê romano. Temos que respeitar os usos e costumes das outras civilizações nos seus locais. Se eu pedir um "visto" para viajar para um país muçulmano recebo uma lista sobre como me devo comportar. Julgo que quem viaja para a Europa não recebe indicações, mas qq pessoa tem o mínimo de sensatez para entender que deve ter os comportamentos do local onde vive ou viaja. Além do mais, creio que se trata de imposições machistas. Também essas sociedades são de uma hipocrisia que não se entende. São contra a nossa civilização porque temos coisas terríveis como a prostituição, a pedofilia, homosexualidade, etc..Eles não têm nada disso. Ah.. mas eles têm o casamento de 1 hora.. O que será um casamento de 1 hora? Não é prostituição? Que gente tão hipócrita...E os que os apoiam hipócritas são....

Concordo como a Paula, a Andreia e Paulo.
Em Roma sê romano...
Um minimo de sensatez e sensibilidade e educação leva-nos a respeitar os hábitos e costumes das sociedades onde vivemos ou viajamos.
Se visito amigos, tenho que respeitar os seus modos de vida...
Além do mais a burka é uma imposição machista e retrógada.
Não me posso esquecer um afegão preocupado com a gravidez da sua 2ª esposa.Sim porque a 1ª tinha morrido de parto e a 2ª tinha-lhe custado muito dinheiro...Este é o valor da mulher nessas sociedades.
A hipocrisia é também comum. A nossa sociedade decadente tem prostituição, pedofilia, homosexualidae, etc. eles não!. São puros. Sabem o que é o casamento de uma hora? Pois é aceite nesses paises. Ah..mas isso não é prostituição. Gente hipócrita, tal como quem defende a falta de liberdade. Pois é quando temos as mentalidades formatadas ....

véu e burca = opressao masculina!
n é nada claro q seja mau proibir o uso. nada nada claro, pelo menos no q toca a burca, uma manifestaçao de um machismo inacreditavel e o maximo da opressao dos homens sobre as mulheres.
liberdade de expressao? qual expressao, de se tapar toda? isso é expressao do q?

O Senhor John Dalhuisen, como indivíduo de extracção cultural muito
provavelmente cristã, (e todos os outros que pensam como ele!) deveriam tentar fazer uso do seu direito de cidadão: o de percorrer CALÇADO qualquer terraço de uma igreja ou catedral (no caso: uma mesquita) e logo verá o que é que as maiorias de um qualquer país muçulmano em que tente/m exercer esse seu (vosso) direito de liberdade

Este/s Senhor/es, acaso nascido/s num sossegado bairro de uma Cidade Europeia e ver/em-se obrigado/s a aguentar, em casa, as lenga-lengas berradas estentorosamente por esgagaladíssimos Clérigos clamarem pelos seus fieis periodica e repetidamente. Eles terão todo o direito e liberdade de o incomadarem e desvirtuarem o ambiente do seu próprio local dilecto. Direitos religiosos que não podem ser limitados?!!
Ora, juizo meus amigos: Não sabe/m do que fala/m -- apenas
emite/m opiniões "evoluídas" e bem-pensadamente «politicamente correctas». E isto é ser reaccionário??? Que líricos!

Proibam os homens de proibir as mulheres! Se proibem as mulheres(de usar véu),o único resultado será mais opressão.
Imaginem o que é não poder sair de casa, ter que deixar escola/trabalho,cortar todo contacto social,porque o véu não é permitido e o senhor não permite que saiam à rua sem véu!
Temos pena de imigrantes forçados a trabalhar porque lhes foram retirados os documentos por outros,muitas vezes do mesmo país e sexo; porque não temos pena destas mulheres, dominadas ao ponto de negarem em manifestações públicas os seus direitos??
Creio que a solução passa por aceitá-las,e protegê-las, porque de várias formas já fazem estas mulheres muito para se integrarem no nosso meio.
Os homens terão que o aceitar algum dia,se deixarem de ser tão levados a sério no rídiculo do que pretendem. Haverá revolta e recriminação,mas pelo menos acabará o silêncio e opressão.

(Além disto,respeitemos a liberdade religiosa e cultural,DENTRO das mesquitas assim como das igrejas)

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