Munique – O fenómeno do Partido dos Piratas (Piratenpartei) na Alemanha, parece ser um caso surpreendente de crescimento para além do esperado.
Após o sucesso do Partido Pirata em Berlim, nas eleições de 2011, onde conseguiram 8,9% dos votos e 15 Deputados no Parlamento Estadual, seguiu-se o Saarland com 7,4% e o Estado de Schlewig com 8,2%, ambos já este ano.
Após estes resultados, têm sido frequentes na imprensa alemã as notícias de que os Piratas estão a ocupar espaço eleitoral da Esquerda (die Linke). E que, estarão no bom caminho para nas próximas eleições do Parlamento Alemão em Setembro do próximo ano ultrapassarem a barreira dos 5% mínimos para uma representação parlamentar no Bundestag.
O que seria decerto um feito sem precedentes, se pensarmos que o Partido Pirata nasceu em 2006 e tem lutado por uma Internet livre, lutado contra a censura na Internet, contra a Lei de Impedimento de Acesso na Internet, direito à privacidade pessoal e ainda, reformas na Lei dos Direitos de Autor.
Sendo, sem dúvida, assuntos de relevo e de consensual preocupação na sociedade da Informação e da Tecnologia, quer-me parecer que como projeto político será um pouco curto. Os seus dirigentes têm vindo a afirmar essa mesma necessidade de ir mais além se quiserem avançar a nível nacional. No entanto, ainda na passada Quinta-Feira promoveram uma conferência on-line com o CEO da Sony Music Entertainment, o senhor Philip Ginthör, subordinado ao tema dos Direitos de Autor.
Mas a eleição que se realizará neste domingo, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, é também importante por outros fatores, além da expectativa da votação no Partido Pirata.
Esta região do Noroeste da Alemanha, apesar de ser a quarta em termos de território, é o Estado mais populoso, com 18 milhões de habitantes.
O Estado da Renânia do Norte é o coração da Alemanha, não só pelo seu passado como pelo seu presente. Inclui cidades com importância extraordinária: Bochum, Dortmund, Bielefeld, Duisburg, Düsseldorf, como Capital Estadual, Essen, Wupertal, onde reside uma forte comunidade portuguesa, Bonn, que já foi a capital federal como é sabido, Köln e Leverkusen, a cidade da poderosa Bayer.
Politicamente, neste Estado, em 2010, a CDU (partido do governo Merkel) perdeu 22 deputados e é, desde esse ano, presidido pelo Sr. Kraft do SPD, apesar de também este partido, nessa altura, ter perdido 7 deputados.
Um dos vencedores foi o partido dos Verdes (Grünen) com uma subida de 5,9%, mais 11 deputados. O outro vencedor, absolutamente extraordinário, foi o partido A Esquerda (die Linke). De 0,9% em 2005, a Esquerda atingiu a percentagem de 5,6% em 2010, o que, pela primeira vez, lhe garantiu a presença de 11 deputados no Parlamento Estadual. Para este resultado, sem dúvida que contribuiu o ambiente de contestação laboral na região em 2008 e 2009. E como é a sua prática, o partido da Esquerda (die Linke) não tem dúvidas da sua posição na sociedade.
Como elemento importante ainda, esta eleição surge como obrigação do Tribunal Constitucional, devido a problemas com o Orçamento Estadual, o que pode prejudicar o SPD.
Além disso, esta eleição estadual é a última deste ano. Seguir-se-á, a 20 de Janeiro de 2013, o estado de Niedersachsen e, em Setembro, a tão esperada eleição para o Parlamento Alemão (Bundestag), onde se aguarda a decisão do futuro da Alemanha e da Europa.
Nas últimas oito eleições estaduais, foi evidente o recuperar da dupla SPD/Os Verdes, da queda de 2005.
Poder-se-ia pensar que as eleições numa província alemã, nada têm a ver com os problemas que Portugal atravessa. Mas depois dos resultados das eleições francesas e gregas e da sua repercussão não só na Imprensa Internacional como nos discursos políticos posteriores, atrever-me-ia a dizer que a Europa da Comunicação chegou mais depressa que a Europa da Solidariedade.
Em resumo, este domingo, várias incógnitas estão em jogo na Alemanha: confirma-se ou não a influência do Partido Pirata na cena política; confirma-se a continuação do SPD como partido que governará este Estado ou não; e a expectativa de uma votação expressiva na Esquerda que permitirá uma representação suficiente para continuar a influenciar as decisões políticas no Estado.