Wolfgang Münchau, num artigo publicado no Financial Times, sugere que “os credores da zona euro podem muito bem decidir que têm todo o interesse em falar sobre o perdão da dívida grega”, uma vez que “se a Grécia entrasse em incumprimento com toda a sua dívida ao setor oficial, a França e a Alemanha sozinhas poderiam perder cerca de 160 mil milhões de euros”.
O que faria de Angela Merkel e François Hollande “os maiores perdedores financeiros da história”, considera o editor do influente jornal financeiro.
“Os credores rejeitam agora quaisquer conversações sobre o perdão da dívida, mas isso poderá mudar quando a Grécia começar o default. Se eles negociarem, todos beneficiarão”, sublinha Münchau no escrito intitulado “A Grécia não tem nada a perder ao dizer não aos credores”.
Por outro lado, entende que “a aceitação do programa da troika constituiria um duplo suicídio – para a economia grega e para a carreira política do primeiro-ministro”. Se tivesse aceite a proposta, Tsipras teria de “concordar com um ajustamento orçamental de 1,7% do produto interno bruto no prazo de seis meses”.
Segundo as contas feitas pelo próprio Münchau, se a Grécia aceitasse um programa de “quatro anos de ajustamento orçamental, conforme exigido pelos credores”, sofreria um “impacto cumulativo no nível do PIB de 12,6%” e “o rácio dívida/PIB da Grécia começaria a aproximar-se dos 200%”.