Adesão a greve do Metro rondou os 100%

07 de fevereiro 2011 - 11:30

Metropolitano de Lisboa parou totalmente. Trabalhadores acusam administração de “roubo selvagem” e dizem que cortes salariais foram além do previsto. Transportes fazem outras paralisações esta semana.

PARTILHAR
Trabalhadores acusam administração de “roubo selvagem” e dizem que cortes salariais foram além do previsto. Foto de Paulete Matos

p { margin-bottom: 0.21cm; }

A adesão dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa à greve desta segunda-feira foi perto dos 100 por cento, de acordo com a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes (Fectrans). “Na central de energia e circulações, que é o coração do metro, está tudo parado, na circulação de comboios está tudo paralisado, quer as chefias, quer os maquinistas, no que diz respeito às estações só sabemos de uma trabalhadora que se apresentou para trabalhar”, disse à agência Lusa Diamantino Lopes, da Fectrans, para quem a greve dá um sinal ao governo e à administração do metro “de qual o sentimento dos trabalhadores”.

A administração do Metropolitano de Lisboa confirmou que o metro parou totalmente. Um representante da empresa disse que “por questões de segurança e não havendo um número significativo de capacidade de oferta, o metro encerra as suas estações”. O movimento só volta ao normal ao meio-dia.

A greve, entre as 6h30 e as 11h30, é contra os cortes salariais impostos pelo Governo. Os trabalhadores afirmam que se depararam com cortes salariais que vão além do disposto pelo governo, tendo os cortes incidido em prestações geradas em meses anteriores a 1/1/2011, data da entrada em vigor da lei do OE 2011 – o que o sindicato considera um roubo selvagem.

“Este Governo não tem escrúpulos e vale tudo”, diz a Fectrans em comunicado. “É assim que trata a contratação colectiva, num dia assina um acordo (AE), dias depois não cumpre com a sua parte, o que é que vai acontecer na nossa Empresa se os trabalhadores a partir de agora, também deixarem de cumprir com o regime de agente único, com o trabalho nocturno, com o trabalho em dias feriados ou com o trabalho suplementar? – Se os trabalhadores deixarem de cumprir só com algum destes itens, causarão graves complicações ao ML, será que não temos esse direito moral se a outra parte subscritora do acordo não cumpre com o seu compromisso?”

Outras greves esta semana

Na quarta feira, paralisarão os trabalhadores da Transtejo, 3 horas em cada turno, da Carris, entre as 10h e as 14h, e dos STCP, entre as 9.30h e as 14h. As empresas Carris e STCP já vierem anunciar que não disponibilizarão transportes alternativos.

No dia 10, quinta feira, os trabalhadores do sector ferroviário estarão em greve, envolvendo as empresas CP, CP-Carga, Refer e EMEF. Nestas empresas, os trabalhadores estarão em greve durante todo o dia, à excepção dos trabalhadores de tracção que paralisarão entre as 5h e as 9h. Os trabalhadores de tracção, onde se incluem os maquinistas, voltarão a parar no dia 15 de Fevereiro.

A CP já anunciou, na sua página na Internet, que a circulação de comboios irá ser fortemente perturbada nos dias 10 e 15, podendo também existir atrasos e supressão de comboios na quarta feira dia 9 e também nos dias 11, 16 e 17. A empresa acrescenta ainda que não disponibilizará transportes alternativos.

No dia 11, sexta feira, os trabalhadores da Soflusa farão uma greve de duas horas em cada turno. Para o mesmo dia, a Fectrans (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes e Comunicação) convocou uma grave de 24 horas dos trabalhadores das empresas privadas do transporte rodoviário de passageiros. A greve afectará nomeadamente a Rodoviária da Beira Litoral e Rodoviária d’Entre Douro e Minho (das 3h às 14h).

Os trabalhadores dos CTT farão greves parciais nos dias 10 e 11 de Fevereiro.