Em comunicado, o CESP refere que, face ao encerramento das lojas da cadeia de mobiliário, "sem cumprir os imperativos legais", apresentou uma "denúncia à Procuradoria-geral da República (PGR) e solicitou a intervenção da Inspeção do Trabalho (ACT) para averiguar e agir coercivamente contra as ilegalidades praticadas pela administração Albará - ex-Moviflor".
Perante esta denúncia, a ACT confirmou "as violações da lei e direitos dos trabalhadores", tendo procedido ao "levantamento de auto de notícia por falta de pagamento pontual de retribuições e elaboração do respetivo mapa de apuramentos" e também de auto de notícia "face à verificação do encerramento temporário da empresa sem informação aos trabalhadores e às comissões intersindical e sindical da empresa sobre o fundamento, duração previsível e consequências do encerramento".
Foi igualmente efetuada uma "participação crime por existirem indícios de responsabilidade penal".
A Moviflor estava em Processo Especial de Revitalização (PER) há perto de um ano. No final de setembro, a cadeia de mobiliário anunciou o encerramento das suas lojas, deixando por pagar salários aos trabalhadores e indemnizações do despedimento coletivo, que levou a cabo ao abrigo do PER.
Após o encerramento da loja da Bobadela, o espaço foi ocupado por uma empresa denominada Outlet de Móveis, que, segundo os trabalhadores, tem à venda material da Moviflor. A nova loja é detida por Carlos Alberto Jesus Ribeiro, que, até 4 de agosto, era o administrador único da Moviflor SGPS, a holding que detém 75% da Moviflor Angola.
A Comarca de Lisboa acabou por proferir, em novembro, a sentença de declaração de insolvência da Moviflor, entretanto denominada de Albará. Os credores, entre os quais os trabalhadores, têm a primeira assembleia agendada para 7 de janeiro.