Cavaco foge aos protestos na Escola António Arroio

16 de fevereiro 2012 - 11:39

O Presidente da República cancelou a visita à Escola António Arroio, onde centenas de estudantes o aguardavam em protesto contra a austeridade. Sem refeitório nem internet ou impressoras, os estudantes denunciaram também o aumento do preço dos passes nos transportes e dizem que Cavaco cancelou a visita por "cobardia".

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Depois da vaia em Guimarães, Cavaco não arriscou visitar a António Arroio. Imagens TVI

Esta era a primeira vez que Cavaco iria aparecer em ambiente público, após ter sido vaiado em Guimarães na abertura da Capital da Cultura 2012. Mas os duzentos estudantes da António Arroio, que queriam entregar a Cavaco um documento sobre a falta de condições na escola que ainda sofre obras de remodelação, foram considerados pelo Palácio de Belém como uma ameaça à segurança do Presidente.

 

"Não temos condições, não temos passes, estão a cortar o nosso futuro", disse Inês, uma das estudantes da escola artística entrevistada pela TVI à porta da escola que há três anos não tem refeitório. "É uma escola especializada e temos de comprar gesso com o dinheiro que ganhamos na nossa feira de cerâmica", acrescentou a estudante. "Estamos a comer no chão todos os dias, porque o refeitório não está construído", afirmou outra estudante.



As reacções sobre a ausência de Cavaco, que anunciou o cancelamento após a visita da sua segurança pessoal à escola, foram um misto de desilusão e revolta. "Ele deve ter outras prioridades, ou se calhar não se quis deparar com a nossa desilusão", disse uma estudante, inconformada com o facto do Presidente não ir receber um documento que prepararam sobre os efeitos dos cortes que estão a ameaçar a qualidade do ensino na única escola artística de Lisboa.



"É uma vergonha ele não ter vindo, é uma imagem de cobardia. Nós somos uma força e estamos a mostrar a nossa opinião. Eles estão a tentar amolecer o povo mas nós estamos com os olhos abertos e acordados e isso assusta o poder", disse outra estudante entrevistada pela TVI.



"Temos falta de materiais, não temos refeitório. Com a austeridade começou a haver mais cortes e agora não podemos usar os nossos materiais. O Presidente está a deixar a educação ficar sem apoio", disse a presidente da associação de estudantes, Daniela Jerónimo.

A fuga de Cavaco a este protesto dos estudantes contrasta com as declarações que fez na campanha presidencial, incentivando os alunos das escolas privadas a manifestarem-se em defesa da sua escola. "Considero importante que crianças, jovens, pais e professores venham para a rua para defender a sua escola. É um sinal de vitalidade da nossa sociedade civil", disse Cavaco Silva num jantar-comício em Aveiro em janeiro do ano passado, após encontrar os manifestantes do grupo "Escolas SOS" à entrada da iniciativa de campanha.



A história das obras na António Arroio já custou vaias ao antigo primeiro-ministro José Sócrates, quando se deslocou àquela escola em 2009 para apresentar a requalificação das instalações, numa altura em que a contestação dos professores ao modelo de avaliação estava muito acesa.