O coordenador do Bloco de Esquerda considerou que o discurso do Presidente da República deste domingo em Elvas foi um "um apelo à resignação", e "um apelo contra a vontade do povo português".
Em Elvas, no primeiro dos dias dedicados ao 10 de junho, dia de Portugal e das comunidades portuguesas, Cavaco Silva disse que “nesta hora que Portugal atravessa, Elvas convoca-nos a olharmos para a nossa História e a reconhecermos que os momentos difíceis não são inéditos”, mas, “nas horas decisivas, os portugueses souberam unir-se para defender os grandes desígnios nacionais”. Recorde-se que em 2008 Cavaco se referiu ao 10 de junho como o “dia da raça”, usando a designação típica da ditadura salazarista, e recuperando a terminologia racista e segregadora do Estado Novo.
Em declarações aos jornalistas, na Feira do Livro de Lisboa, João Semedo afirmou que hoje os portugueses de facto estão muito unidos, mas “contra o governo que o Presidente da República mantém, muito unidos contra o memorando que ele defende, muito unidos contra a 'troika' que ele continua a desejar que esteja no país".
O coordenador do Bloco afirmou ainda que "o Presidente da República é hoje o único português que sustenta e apoia politicamente este governo. Portanto, são palavras e, como se costuma dizer, palavras leva-as o vento".
De acordo com João Semedo, "tem havido muitíssimas formas de o povo português exprimir o seu amplo consenso contra esta política e contra este governo" e, se o Presidente da República tivesse consequência nas suas palavras, já o teria demitido".