O coordenador do Bloco de Esquerda disse na noite de sábado que a disponibilidade anunciada pelo primeiro-ministro para aceitar a "modelação" de algumas medidas de austeridade previstas no Orçamento de2012 não passa de um baixíssimo jogo político.
"É um baixíssimo jogo político para envolver quem quiser ser envolvido numa operação de assalto aos funcionários, aos reformados e aos homens e mulheres que trabalharam toda a vida e que têm direito aquele salário e àquela pensão, que são seus", disse o deputado e professor de Economia.
Pedro Passos Coelho admitiu neste sábado em Coimbra que o governo está disponível para negociar com o PS "alguma modelação" das medidas de austeridade que têm um impacto social mais pesado, mas exigiu que fosse encontrada a compensação necessária de modo a não comprometer o valor do défice para o próximo ano.
O PS respondeu dizendo que a bola está do lado do governo.
"Quando António José Seguro responde que a bola está do lado do PSD e o PSD diz que a bola está do lado do PS, nós só temos a dizer que isto não é um jogo político", disse Louçã, acrescentando que o PSD e o PS não podem tratar como bolas os salários e as pensões dos trabalhadores portugueses.
"Se querem tratar como bolas os salários e as pensões, fiquem sabendo que há um País inteiro que sabe que isso é uma vergonha, porque a defesa do salário e da pensão, é uma questão de dignidade e de respeito das pessoas, não há nenhum jogo político a fazer com isso”, acrescentou.
O dirigente bloquista lembrou que o PS prometeu bater-se por devolver um subsídio a todos os pensionistas e a todos os reformados. “Se o acordo que PSD E CDS querem amarrar com o PS é retirar os dois subsídios a quase todos os funcionários e a quase todos os pensionistas, isso é o abandono, muito triste, de uma promessa solene que o PS tinha feito. E nós precisamos de palavras credíveis, não precisamos de jogos políticos.”
O Bloco de Esquerda, lembrou Louçã, já provou que há alternativas para evitar o roubo dos dois subsídios: a "tributação sobre o património de luxo traz democracia e responsabilidade ao País", tributando "os que nunca pagaram".
"Os senhores do País, os senhores da finança, os usurários de serviço, não podem dirigir-se a um reformado que descontou para a reforma toda a vida e que está a receber o que é seu, e dizer-lhe: nós vamos retirar-vos, assaltar-vos, um subsídio de Natal, um subsídio de férias", disse Francisco Louçã, assegurando que o Bloco não está disponível para isso.