O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, disse neste sábado que é possível encontrar uma alternativa ao Orçamento de Estado que o PS e o PSD querem impor ao país, apontando para o exemplo do pré-acordo firmado entre a Comissão de Trabalhadores e a administração da Autoeuropa.
“Num país à beira do precipício, em que PS e PSD se entendem para assegurar que a única solução é baixar os salários, houve milhares de trabalhadores que conseguiram aumentar o seu salário para melhores competências e melhores qualificações", destacou Louçã.
"Para eles, por causa da sua luta e determinação, o país pode estar melhor", frisou.
Para o deputado do Bloco, a resposta da sociedade já está a ser preparada: "Haverá uma greve geral, que é a primeira grande resposta em nome da sociedade, da maioria [...] contra os que nos querem impor um aumento dos impostos, a redução dos salários e um aumento do desemprego", disse.
À espera do fumo branco
Louçã ironizou ainda o dia de negociações entre a representação do PSD e o governo em torno do Orçamento:
"Estamos à beira de decisões importantes, nas vésperas de ser votado na Assembleia da República um orçamento que é marcante para a vida económica portuguesa. E parece que toda a política se resumiu a este dia: sai fumo branco desta reunião ou não sai?".
Um acordo, prosseguiu, "que já se sabe que é para aumentar os impostos e reduzir os salários", ou seja, que "afecta rigorosamente toda e qualquer pessoa que trabalha neste país", e que vai levar a um orçamento que "vai prejudicar a economia" e que é a "pior das alternativas possíveis".
Em matéria de imigração, tema do Fórum organizado pelo Bloco de Esquerda em Lisboa, Francisco Louçã garantiu que o seu partido vai "travar uma batalha dura" para que, "na revisão constitucional", o direito de voto dos imigrantes não seja apenas garantido nas eleições autárquicas, mas "também nas legislativas".