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Dia da Visibilidade Trans: Existimos e resistimos

No primeiro Dia Nacional da Visibilidade Trans, Júlia Mendes Pereira, dirigente nacional do Bloco, explica que as pessoas trans e as suas lutas têm uma história que hoje celebramos, lembramos e continuamos. A igualdade na lei e em todas as esferas da vida é um combate que prossegue e de que o Bloco não abdica.

"A existência das pessoas trans e não binárias é tão antiga como a própria humanidade. Orgulhamo-nos de cada descoberta e de cada vestígio arqueológico que confirma a longevidade da nossa resistência" afirma Júlia Mendes Pereira no vídeo gravado para assinalar pela primeira vez o Dia Nacional da Visibilidade Trans, instituído no ano passado.

"Temos, na nossa história contemporânea, momentos chave, como as revoltas das Carolines, em Barcelona, ou as mobilizações pela libertação sexual nos anos 30, em Berlim, que foram esmagadas e dizimadas pelo regime nazi, que nos colocou, às pessoas trans e queer, um triângulo rosa ao peito e nos mandou para os campos de concentração. Lembramos também revoltas como Stonewall, em Nova Iorque, que estão na origem do orgulho LGBTQIA+. O arco íris e a bandeira cor-de-rosa, azul e branca são os nossos símbolos, mas vamos além deles", prossegue a dirigente bloquista, lembrando que "hoje, dia 31 de março de 2024, celebramos, pela primeira vez, o Dia Nacional da Visibilidade Trans, decretado pela Assembleia da República no ano passado".

"Em 2018, a lei consagrou o direito à autodeterminação de género. É urgente fazer cumprir esta lei no que diz respeito às pessoas imigrantes trans residentes em Portugal, reconhecendo o seu nome social e a sua identidade de género. É urgente regulamentar esta lei no que diz respeito às escolas, garantindo escolas inclusivas e livres de bullying e assédio. É urgente cuidados de saúde afirmativos de género e garantir a resposta no Serviço Nacional de Saúde. E é urgente aprofundar o direito à autodeterminação de género para o reconhecimento das pessoas não binárias. Porque o género nunca foi binário" conclui Júlia Mendes Pereira.

Centenas juntaram-se á marcha  da Visibilidade Trans em Lisboa

Para assinalar este Dia da Visibilidade Trans, realizou-se uma marcha em Lisboa com partida da Assembleia da República. Caeiro foi uma das pessoas organizadoras e disse à SIC que o local foi escolhido "tendo em conta o contexto político que estamos a viver em Portugal", com a direita em maioria no Parlamento, lembrando ainda que "têm acontecido alguns casos de violência após as eleições".

“Mas, na verdade, a nossa reivindicação também é uma celebração dos nossos próprios corpos e é um bater do pé que nós continuamos a existir e que não vamos a lado nenhum”, disse Caeiro à agência Lusa na véspera da marcha.

À pergunta sobre a dificuldade específica sentida pelas crianças, respondeu que "apesar de termos a lei que nos protege, de renomeação de género e da identidade de género, em relação à educação, as crianças estão muito à margem e não têm ferramentas para se apoiarem. Nós também fomos essas crianças e sentimos isso na pele, ainda hoje sentimos em adultos, mas mais em crianças. Não tínhamos uma rede de apoio e agora estamos a criar essa rede de apoio".

A marcha juntou centenas de pessoas, entre elas o líder parlamentar bloquista Fabian Figueiredo.