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Emergência: mais apoio social e justiça na economia

É preciso garantir a luz e a água e as telecomunicações. É preciso garantir apoio a quem perdeu todos os rendimentos e ainda não tem uma resposta.

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Esta Páscoa será muito diferente daquilo que todos gostaríamos e desejaríamos.

 As celebrações religiosas e os encontros familiares e de amigos que estavam previstos não se podem realizar. É doloroso porque este é o momento de encontros que são há muito aguardados. Mas é importante que todos compreendamos que o afastamento físico que é agora imposto  serve precisamente para protegermos aqueles de quem mais gostamos.

As medidas de restrição de circulação tem de ser acompanhadas de medidas mais fortes de apoio social e de intervenção económica.

De apoio social, desde logo, protegendo mais as famílias. São importantes as medidas de suspensão dos despejos, de moratórias de rendas ou de hipotecas, mas não chegam. É preciso garantir a luz e a água e as telecomunicações. É preciso garantir apoio a quem perdeu todos os rendimentos e ainda não tem uma resposta. É preciso apoiar aqueles que contavam com o ATL, com o centro de dia ou outra instituição para cuidar dos seus dependentes e que neste momento estão sozinhos. Temos de ser mais fortes no apoio social.

Temos também de ser mais fortes nas exigências que fazemos à economia. Mais apoio às micro e pequenas empresas que têm feito um esforço tão grande, em condições tão difíceis. Mas há também grandes empresas e um sistema financeiro que têm que ser chamados a colaborar neste esforço, proibindo cobranças excessivas às empresas e famílias e obrigando à descida dos preços, tanto dos créditos como da conta de luz. E claro, proibir a distribuição de dividendos. Ninguém pode fazer lucro com a crise.

É ainda necessário a requisição dos equipamentos e materiais de que o Serviço Nacional de Saúde precisa. Penso nos médicos, enfermeiros, nos técnicos, em tantos trabalhadores e trabalhadoras que todos os dias lutam para ter os equipamentos de proteção individual de que necessitam. Esses meios existem e devem ser utilizados no Serviço Nacional de Saúde, onde não pode faltar o essencial.

E não podemos deixar que, a coberto da crise, venha o abuso laboral. O governo anunciou, e bem, o reforço dos poderes da ACT. É preciso ir mais longe e proibir os despedimentos, incluindo dos trabalhadores precários. As empresas devem ter apoio e como contrapartida ao apoio não podem despedir. Defender o emprego e defender o salário é a condição para defender o país. Portugal é um país solidário que tem dado provas de que é capaz do melhor nestes tempos difíceis. Saibamos ser tão responsáveis nas restrições aos movimentos como no apoio social e nas regras para a economia.