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Opinião

1 Março, 2007

No dia 2 de Fevereiro último foi divulgada a versão não-confidencial do relatório "Prospects for Iraq's Stability: A Challenging Road Ahead". Este documento é o produto mais substantivo dos serviços secretos norte-americanos (entregue directamente ao Presidente) e integra o trabalho de 16 agências de espionagem sobre como a situação no terreno vai afectar as questões de defesa nacional nos próximos 18 meses. A avaliação diz que a trajectória do país é de clara deterioração. A violência que se vive no Iraque pode ser descrita como "guerra civil" dadas as características de elevado número de baixas civis, divisões étnicas, facções religiosas, e ainda a existência de 2,4 milhões de refugiados (dados ONU, 4 de Novembro de 2006). Porém, diz-se ainda que a situação é mais complexa do que apenas guerra civil dada a ocorrência de ataques às tropas ocupantes, a grave incidência de criminalidade nas ruas e a interferência de potências vizinhas (alegadamente, movimentos ligados ao Irão e forças da al-Qa'ida).

14 Fevereiro, 2007

No período preparatório do referendo, surgiram muitos argumentos contra a sua realização. Segundo uns, tratar-se-ia de correr um risco desnecessário, porque o Parlamento teria maioria para votar a lei. Para mais, seria perder tempo. Segundo outros, o referendo é sempre arriscado, por natureza, e devem-se evitar os riscos. Esses argumentos têm uma justificação razoável: havia um risco no referendo. Mas são politicamente errados, na minha opinião.

13 Fevereiro, 2007

Os jornais, nos dias de balanço dos referendos, fizeram muitas apreciações, consoante os cronistas, os jornalistas e as suas opiniões. Mas uma parece ter vingado: a de que o movimento do Sim ganhou porque foi mais moderado do que em 1998.
Penso exactamente o contrário: que o Sim ganhou porque foi mais radical do que em 1998 e porque pretendeu assim disputar o que tinha a disputar, que era a maioria dos votos.

13 Fevereiro, 2007

Terminado o referendo, creio que é útil pensar e discutir em detalhe as suas principais lições. Esse é o objectivo desta crónica, e começo por um tema que é fundamental para definir uma estratégia para a esquerda política em Portugal: a esquerda deve ou não promover uma política unitária?

9 Fevereiro, 2007

O primeiro despacho da Agência Reuters acerca do referendo português tinha como título "Portugal testa a modernidade". A perseguição criminal às mulheres que abortam em Portugal é vista em toda a Europa como uma excentricidade e uma aberração - e em Portugal também. E esse foi o tema desta campanha referendária. E é por isso que o Sim aparece em posição de ganhar no domingo

30 Janeiro, 2007

Ao longo dos últimos dias, a campanha do Não parece ter explodido. Ninguém se entende, uns dizem uma coisa e outros o seu contrário. Uns querem punir e outros querem não punir. Uns falam da vida inviolável e outros das condições em que a mulher pode abortar e não ser presa.

29 Janeiro, 2007

Muitas pessoas têm dúvidas sobre como votar no Referendo. É por isso que escrevo para os Leitores do Correio da Manhã, com todo o gosto.
Já sabe que Voto Sim. Voto Sim porque todas as pessoas de bem ficam incomodadas pelos julgamentos das mulheres que abortaram. E porque acho que não podemos condenar essas mulheres a uma pena de prisão: desde o último referendo, 17 mulheres foram condenadas por aborto e muitas mais foram julgadas. Tenho vergonha por estes julgamentos.

16 Janeiro, 2007

O incómodo dos defensores do  Não é notório sempre que se lhes fala da realidade. Ribeiro e Castro veio "exigir" a retirada de um cartaz que apela a que as pessoas não se abstenham, porque assim permitiriam continuar a pena de prisão para as mulheres. Mas não, dizem os do Não, nenhuma mulher é presa - fraco argumento porque quer contradizer a realidade.

11 Janeiro, 2007

Dentro de um mês realiza-se o referendo sobre o aborto. Começa agora a fase final da campanha, que deve ser conduzida com inteligência, com alegria e animação e sobretudo com muita determinação. É por isso útil fazer um curto balanço da situação em que estamos agora, para escolher qual deve ser a estratégia para a vitória do SIM.

20 Dezembro, 2006

O parlamento discute hoje um projecto de lei do Bloco de Esquerda para impedir aumentos das tarifas da electricidade acima da inflação, nomeadamente para impedir o aumento de 6% que entrará em vigor dia 1 de Janeiro. Ao mesmo tempo, o Bloco está a fazer uma campanha em todo o país contra este aumento, com a distribuição de um comunicado à população (ver aqui o comunicado).

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