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Um contra o outro

Américo Amorim passa incólume aos cortes nos subsídios, os deste ano e os dos próximos anos. E, para além do homem mais rico de Portugal não ser chamado a qualquer sacrifício, conseguirá ficar ainda mais rico com as medidas do Governo.

A política da inevitabilidade apresentou o seu Orçamento de Estado. Um brutal ataque aos portugueses, aos rendimentos das famílias, aos salários e aos direitos. E uma enorme auto-estrada para o aprofundar das desigualdades. Este é o orçamento de sonho para quem procura desvalorizar o trabalho, agudizar a exploração e garantir o salvo-conduto do capital pelo desmantelamento do Estado Social. E, como acontece muitas vezes, o sonho de uns é o pesadelo de outros, muitos outros: 99%, como se gritou a 15 de Outubro, indicando a imensa maioria daqueles que serão os alvos deste ataque orçamental.

O Governo retoma o caminho já conhecido na procura dos limites dos portugueses, aumentando sempre cada vez mais o saque. Primeiro foi um corte nos salários, depois uns aumentos de impostos, em seguida metade do subsídio de natal, depois mais impostos, agora são dois subsídios e mais aumentos de impostos. E, não esquecer, mais 16 dias de trabalho gratuito para bem da saúde dos patrões portugueses. De medida temporária, em medida temporária se tornam permanentes os sacrifícios aos portugueses e se instala a pior recessão dos últimos 30 anos.

As desigualdades galopam toda esta austeridade, pois a quem mais tem, se continua a pedir menos. Américo Amorim passa incólume aos cortes nos subsídios, os deste ano e os dos próximos anos. E, para além do homem mais rico de Portugal não ser chamado a qualquer sacrifício, conseguirá ficar ainda mais rico com as medidas do Governo: receberá, gratuitamente, mais meia hora de trabalho diária dos seus trabalhadores, que, para além de trabalharem mais, receberão menos. Inevitável?! Só a contestação popular. Se o Governo está contra os portugueses, os portugueses mostrarão a sua indignação ao governo.

Este é o orçamento do ataque aos portugueses, e os portugueses têm de estar à altura do desafio que lhes é colocado. Em nome do emprego, dos direitos, do Estado Social, do crescimento, da economia; Em nome de um povo que não se verga nem à austeridade, nem à inevitabilidade; Em nome de uma dignidade que não deixamos que seja colocada em causa. A Greve Geral é o espaço da indignação de quem sabe que as alternativas se constroem com a força de quem tem a razão do seu lado. Essa é a luta para que somos chamados a juntar a nossa voz. Ninguém pode faltar!

Sobre o/a autor(a)

Deputado, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, matemático.
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