Está aqui

Professores: Reafirmar a luta, não entregar objectivos

Depois das maiores manifestações de sempre de uma classe profissional em Portugal e das históricas greves de 3 de Dezembro e 19 de Janeiro, a não entrega dos objectivos individuais é a atitude mais coerente para reafirmar a luta contra as indignidades que sucessivamente foram impostas aos professores.

Sócrates, é o aplicador de serviço do esquema principal do capitalismo, cortar nas despesas públicas com educação, saúde ou ajudas sociais, para financiar com dinheiros do Estado os lucros dos bancos e das grandes empresas.

Quando se tornou insustentável manter o congelamento de carreiras, foi necessário inventar um esquema que limitasse os custos com salários...aí surgiu este modelo de avaliação de professores. A avaliação foi a cereja do bolo que se juntou a todo um conjunto de medidas que atingiram professores e alunos, visando degradar a escola pública e abrir caminho para negócios privados, com dinheiros públicos.

Perante a resposta dos professores, Sócrates viu-se obrigado a seguir a política do pau e da cenoura. Por um lado, recorreu à intimidação e ao medo, uma arma sempre eficaz num país com 300 anos de Inquisição e quase 50 de PIDE. Por outro, propagandeou cedências, não hesitando em apresentar uma caricatura de avaliação.

Mas não nos podemos deixar tentar pelo canto da sereia.

Entregar os objectivos individuais, seria dar uma ajuda preciosa ao Ministério da Educação na implementação do seu modelo de avaliação e na consolidação do seu Estatuto da Carreira Docente.

Implicaria aceitar que, no próximo ano lectivo, o modelo imposto pelo Ministério da Educação se aplicará na sua versão integral.

Mostraria conformismo com a existência de professores de primeira e de segunda, titulares e das famosas quotas para progressão na carreira. Seria colaborar na degradação da escola pública e da profissão docente.

Não podemos deixar desabar a unidade e a força, tão arduamente conseguidas em momentos únicos da recente história social portuguesa.

Aos professores cabe manter a cabeça erguida e recusar o clima de intimidação e medo, reafirmando coerentemente a luta pela sua dignidade.

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
(...)