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Os políticos são todos iguais

É mais difícil lutar contra um sistema que se encontra espalhado por todo o mundo. Mas não estamos sozinhos – não é só em Portugal que se juntam vozes contra estes (des)governos. Dia 1 de Junho, serão mais de 100 as cidades europeias a exigir o fim desta política que governa contra as pessoas.

Uma das minha melhores amigas está a pensar emigrar. Não porque esteja desempregada – vai aguentando a situação precária mês a mês –, mas porque não vê o fim, nem como sair, dessa situação. E está a chegar ao limite, porque o mundo não acaba no nosso quintal e toda a gente à sua volta está a arder. Uma das minhas melhores amigas (daquelas que se quer ter ao lado para sempre) está mesmo a fazer planos a sério para ir com  o marido e o filho para fora e começar do zero. Está zangada e muito: não vai por vontade própria, para explorar o mundo e descobrir novas experiências – vai para poder viver. Não é a única; é só mesmo uma entre os muitos que estão saturados da situação do país, cansados do esforço e da falta de opções, e que exigem dignidade no dia-a-dia.

Há muito quem diga que a política é para “os que a fazem”, ie., “os outros”. Basta ver qualquer vox pop, e a resposta da maioria dos entrevistados é que não se interessam por política – como se fosse uma doença – e, logo a seguir, inevitavelmente, vem a frase lapidar “é tudo a mesma coisa”. O enfraquecimento da nossa democracia – que se encontra num estado tão frágil que até o governo age contra a Constituição que jurou defender – é o resultado da profunda despolitização que afecta a nossa sociedade. E isso interessa aos que tentam destruir o estado social: os que difamam os funcionários públicos e lhes chamam “gorduras”; que se vingam nos pensionistas; que cortam nos professores e atafulham salas com crianças; que sobem impostos até ao limite do insuportável.

O que é um país sem estado social? O que é um país sem educação, saúde, cultura? Isto é política, e uma linha entre a esquerda e a direita, entre uma democracia saudável com direitos e deveres e um país governado por mercados. Entre pessoas e números - pessoas e números, sim. A direita no poder não é um acaso, é o resultado de anos de cultura de abstenção, de não participação cívica, de deixar para “os outros” aquilo que devia ser obrigação de todos. E a direita que está no poder quer tudo; quer as nossas vidas, porque lhe são rentáveis, e, para se perpetutar no poder, conta com a perpetuação da não participação das pessoas cujas vidas vai decepando pelo caminho. É simples: enquanto não percebermos que todos os nossos gestos são política, e enquanto não agirmos conscientemente em relação a isso, continuaremos a deixar que decidam por nós e que destruam o que construímos, ou seja, a ver a nossa sociedade a empobrecer e desmembrar-se.

É mais difícil lutar contra um sistema que se encontra espalhado por todo o mundo. Mas as lutas mais válidas são, precisamente, as mais difíceis de travar. E não estamos sozinhos – não é só em Portugal que se juntam vozes contra estes (des)governos. No dia 1 de Junho, serão mais de 100 as cidades europeias a exigir o fim desta política que governa contra as pessoas. Caminhemos todos juntos a 1 de junho, para que a minha amiga não emigre, para que mais ninguém tenha de emigrar por falta de um país onde viver. Este pais, esta Europa é nossa e temos uma palavra a dizer.

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