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O palco do Governo Regional

Rabo de Peixe é a freguesia mais populosa dos Açores e, neste momento, tem os seus acessos condicionados pela imposição de uma cerca sanitária. Sai e entra quem tem uma justificação para tal.

Nos últimos tempos, Rabo de Peixe e a sua população tornaram-se no foco das atenções. Inicialmente, pelo facto dos partidos, que se arrogam de democratas e democratas cristãos, ofuscados pela possibilidade de governar os Açores, terem decidido embarcar no populismo de quem, no Terreiro do Paço, necessitava de palco para a sua campanha presidencial, anunciando o corte nos apoios sociais – RSI.

Foi o mote para que se sucedessem comentários carregados de ódio aos pobres, para se invadir a privacidade alheia e divulgar fotos de tatuagens de algumas pessoas desta freguesia, por exemplo.

Ninguém se lembrou foi de que, muitas vezes, o mar é o último recurso – o fim de linha – para muitas destas pessoas e que nem sempre o mar permite que se coloque comida na mesa.

Estão a ser feitos centenas de testes rápidos ao vírus da Covid-19. Claro que faz bem em testar, pois é forma que se tem de conhecer a realidade, de se tratar as pessoas infetadas e tentar evitar maior número de contágios.

Lamentável é o folclore mediático criado à volta dessas pessoas. Já não lhes bastava o estigma do RSI, como ainda servem de campanha de prestação de contas do trabalho que está a ser desenvolvido. Hoje servem para mostrar trabalho da coordenação de saúde. Amanhã voltam a ser os denominados malandros do RSI.

Um governo deve proteger a população e não expor como está a permitir que aconteça.

Resta saber se a testagem ocorresse num bairro, avenida ou zona “in”, se o mesmo aconteceria.

Um bem haja a todos/as profissionais de saúde que se encontram na linha da frente!

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores. Licenciada em Educação. Ativista pelos Direitos dos Animais. Coordenadora do Bloco da Ilha Terceira
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