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O fim está próximo?

Sabemos que o prazo de validade do Executivo terminou há muito, mas não é fácil arriscar palpites sobre a distância a que estamos do fim. E vários fatores determinantes para isso contribuem.

O Governo atingiu um nível de decadência tão grande que custa a crer que apenas tenham passado dois anos desde a sua eleição. Conseguiu perder todas as suas bases de suporte. Não resta nas redações quem consiga relativizar as suas posições, perdeu há muito o eleitorado flutuante da classe média que foi determinante na sua eleição e mesmo os seus grandes bastiões na direita política parecem já ter caído todos. Chega a ser deprimente ver os atuais programas de debate político uma vez que, se retirarmos os membros do governo ou da maioria parlamentar, já ninguém tem a coragem de vir a público defender o que este Executivo anda a fazer.

No entanto, sendo a decadência evidente, continua a ser uma incógnita quanto tempo mais durará o presente Governo. Resistirá à discussão do próximo orçamento de Estado? Quanto tempo mais até o CDS bater com a porta? Sabemos que o prazo de validade do Executivo terminou há muito, mas não é fácil arriscar palpites sobre a distância a que estamos do fim. E vários fatores determinantes para isso contribuem.

Em primeiro lugar, e se o encararmos em termos estruturais, salta à vista o facto do principal líder da oposição ser ainda pouco convincente. Formalmente a queda do Executivo não depende do desempenho do líder do PS, uma vez que apenas o Presidente da República e o CDS podem de facto propiciar tal queda. No entanto, o facto de Seguro ainda não convencer suficientemente o eleitorado e os opinion makers não pode ser considerado um pormenor. Muitos continuam a defender a manutenção deste governo uma vez que consideram não existir uma alternativa, ou sequer alternância.

Por outro lado, importa não esquecer que, apesar da volatilidade significativa do eleitorado nos dias que correm, este não é um apologista constante da mudança. A vasta maioria dos eleitores sabe que a mudança tem custos e riscos, sendo por isso inconveniente que a mesma ocorra com elevada frequência. Neste sentido, assume particular relevo a ideia de que a queda deste governo e a ascenção de um governo PS não traria mudanças de fundo na política seguida pelo país. Assim sendo, para quê sequer tentar a mudança? O grande desenlace a este respeito apenas ocorrerá quando este mesmo eleitorado perceber que o risco da continuidade é maior do que o risco da mudança. Uma espécie de click que ocorrerá certamente num futuro próximo, embora seja difícil estimar com precisão a sua proximidade.

Ou seja, a percepção de alternativa por parte do eleitorado é de facto fundamental para a queda deste Governo. Daí que a alternativa de esquerda deve continuar a ser trabalhada e os esforços deverão até intensificar-se. Como todos sabemos, mais do que ganhar, as eleições perdem-se. Assim sendo, a experiência demonstra que embora Seguro ainda seja visto como uma solução pouco viável, as coisas continuarão a evoluir positivamente para o líder socialista à medida que a decadência do atual Governo se acentua. A este ritmo, num futuro próximo, é possível que a besta Seguro se transforme no bestial Seguro. E quando assim acontecer, lá se foi outra vez a oportunidade de criar uma verdadeira alternativa em Portugal.

Sobre o/a autor(a)

Politólogo, autor do blogue Ativismo de Sofá
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