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Nas ruas da nossa cidade, os direitos humanos são para cumprir

A indignação contra a violenta agressão a Sara Vasconcelos por um taxista no Porto deu origem a um abaixo-assinado da população do bairro onde tudo aconteceu.

Artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

No dia 8 de dezembro de 2014, Sara Vasconcelos foi violentamente agredida por um taxista na Praça da República, no Porto, alegadamente por se ter despedido de uma amiga com um beijo na boca.

Aos tribunais caberá julgar a agressão. Todavia, na qualidade de moradores das ruas adjacentes do local onde ocorreu a agressão, não queremos deixar de tomar posição, condenando o sucedido e afirmando que nas ruas da nossa cidade os direitos humanos são para cumprir.


A ideia deste abaixo-assinado nasceu da indignação que sentimos quando nos confrontamos com a notícia de que uma rapariga, Sara Vasconcelos, tinha sido violentamente agredida por um taxista na Praça da República. A barbárie tinha acontecido mesmo à nossa porta. Porque residimos nesta zona da cidade, resolvemos, ao nível do nosso bairro, tomar posição. Acordamos o texto que acima se transcreve e começamos a recolher assinaturas entre os nossos vizinhos e vizinhas.

A experiência tem sido muito interessante, pois fez-nos perceber que há uma indignação calada entre os moradores e moradoras e vontade de a tornar pública. Em pouco mais de 24 horas recolhemos 80 assinaturas. Assinar este documento assumiu-se, assim, como uma forma de participação cidadã.

Pretendemos com esta iniciativa mostrar que a violência não nos é indiferente e que a condenamos, razões que nos fazem não só tomar posição como comunicá-la às instituições que governam a nossa cidade – Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia - e às que tutelam a atividade profissional do agressor – Raditáxis e Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Segundo o que vem noticiado na imprensa, o taxista em questão será ouvido pela central de táxis no dia 27 de dezembro. Em razão disso, queremos enviar à Raditáxis o nosso abaixo-assinado até essa data, de modo a que conheçam a opinião dos e das residentes na zona. Queremos que saibam que nada temos contra os taxistas, trabalhadores que respeitamos. No entanto, cremos que as «maçãs podres» devem ser irradiadas, de modo a restituir a dignidade aos trabalhadores deste setor profissional e a repor a confiança das pessoas que recorrem aos seus serviços.

Apelamos, pois, a todos os nossos vizinhos e vizinhas que queiram tornar pública a sua indignação que enviem o seu nome, número do cartão de cidadão e nome da rua onde residem para este endereço de correio eletrónico: pracadarepublica.porto@gmail.com

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