Manifesto e Pensar Santa Maria: quando as formigas tomam uma atitude

porPedro Amaral

17 de setembro 2023 - 1:19
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Tentar expandir horizontes, para compreender o mundo que nos rodeia e o nosso papel nele. Estes projetos têm em comum quatro aspetos: quererem aumentar a participação cívica, o debate e ação; serem um grupo informal de jovens e alicerçarem-se digitalmente.

A amizade leva-nos a muitos portos, coloca-nos em longas viagens. No final de junho deste ano, um amigo começou a falar-me de formar um movimento. Vinha com o entusiasmo de participar noutros círculos, como coletivos de luta pelo direito à habitação, que têm um importante trabalho na mobilização de indivíduos para dar visibilidade a causas. O seu entusiasmo era justamente de ver ser possível o cidadão anónimo participar quotidianamente na construção da democracia. No entanto ele percebeu que na sua faculdade não há uma cultura de participação – tendo lá estudado antes, sabia exatamente do que falava. Este novo movimento seria, portanto, uma forma de consciencialização. Um coletivo cuja atividade é promover o espírito crítico e a participação cívica, a par de divulgar os movimentos e associações que já existem com muito bom trabalho feito.

Às vezes aquilo que é preciso é só de um empurrão. Tentar expandir horizontes, para compreender o mundo que nos rodeia e o nosso papel nele. Construirmos a nossa comunidade é a nossa liberdade.

Neste momento o Manifesto, este coletivo que foi formado com mais amigos em comum, já é público e tem uma ManiFesta agendada para dia 19 de setembro, pelas 18:00, na «Rotunda da Boavista». Pretendemos fazer tertúlias, convívios, sessões de cinema, clube do livro,… Tudo atividades que permitam gerar reflexão, abordar temas e explorá-los. Tentar criar um ambiente fraterno onde é possível uma franca partilha de experiências e conhecimento, tal igual como quando estamos entre amigos na cantina a conversar. Ao mesmo tempo, falar do que se pode fazer, dos grupos que já existem a trabalhar nesses temas.

De tanto pensar neste projeto portuense em Santa Maria, em agosto percebi que se podia fazer algo numa lógica semelhante na ilha: o Pensar Santa Maria. Criar um espaço onde pessoas qualificadas falam dos temas das suas áreas de estudo, da forma como as desenvolver na ilha, como desenvolver a ilha através delas e informações úteis para o quotidiano de cada um de nós. Mais do que isso, lançar mensalmente uma extensa recolha de informações e entrevistas a pessoas e entidades sobre determinados temas – a Ágora. Escolher um tópico e explorá-lo exaustivamente, falando com as pessoas que lidam com ele na ilha. O que se quer é gerar uma reflexão estruturada, correta, factual e informada sobre Santa Maria.

Pensar Santa Maria pode ser visto como um think tank, sendo independente. No entanto, apesar de haver um esqueleto e alguns jovens, o projeto precisa de ajuda para andar, pelo que deixo aqui a presença digital. Aquilo que mais me fascina neste projeto é o anseio pela universalidade do acesso à informação. Democracia é também garantir que todos têm o máximo de informação, razão pela qual o grande objetivo deve ser a edição impressa enviada gratuitamente para todos os lares marienses.

Estes projetos têm em comum quatro aspetos: quererem aumentar a participação cívica, o debate e ação; serem um grupo informal de jovens e alicerçarem-se digitalmente. O mundo digital potencia os grupos informais, ou seja, sem personalidade jurídica como associações, por permitirem um acesso à partilha de conteúdos gratuita. Trata-se de uma plataforma privilegiada para atingir grandes audiências sem custos.

A minha esperança é estes novos projetos, nas costas do Atlântico, demonstrarem que é possível ter um impacto na nossa comunidade, mesmo que só com o poder da palavra.

Pedro Amaral
Sobre o/a autor(a)

Pedro Amaral

Estudante do ensino secundário. Membro da Comissão Coordenadora Regional dos Açores do Bloco de Esquerda. Ativista estudantil
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