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Jovens aconselham o governo a emigrar

“Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras” disse Alexandre Miguel Mestre em visita à comunidade portuguesa e de luso-descendente em São Paulo. O secretário de Estado da Juventude e do Desporto junta assim mais uma peça ao discurso do governo: vamos exportar a juventude!

É uma proposta coerente com a estratégia do Governo PSD-CDS. Lembram-se do ato falhado de José Sócrates, quando disse que queira "um país mais pobre"? Pois bem, o que o Governo PS disse entre dentes, o Governo Passos-Portas afirma solenemente como grande estratégia nacional: temos de empobrecer. E porquê? Para "renascer das cinzas", pois claro. Havia de ser para quê? Tudo isso é coerente, o país empobrece e aumenta-se a exportação de pobres. O secretário de Estado (aliás devia ser promovido a ministro!) quer melhorar a qualidade dessas exportações, o que é uma ótima ideia. A sua proposta é corajosa, diz que não devemos ter medo da "fuga de cérebros", que não devemos ser negativistas. Ou seja, exportações de qualidade, os mais jovens, as mais qualificadas. É um plano com futuro, não haja dúvida.

Há apenas um problema. "Vão viver pior que os vossos pais" não anima nem mais novos nem mais velhos. "Os vossos filhos vão viver pior que pais e avós", muito menos. Podem tentar atirar-nos areia para os olhos, com o discursos dos "horizontes de esperança"1 da emigração. Podem insultar-nos de vivermos na "zona de conforto", esse país que condenam a empobrecer. Mas nós é que temos um conselho para o Governo. Os jovens que não querem ser expulsos por traidores, as trabalhadoras que não querem ser condenadas às paredes do lar, os pais e avós que não fizeram o 25 de Abri para aturar esta contra-revolução que de meia hora em 13º mês nos rouba o passado e o futuro: aconselhamos o governo a emigrar e, como dizia o outro culpado, deixem-nos trabalhar!


1 Referência à obra de David Harvey "Espaços da esperança" (Loyola, 2000).

Sobre o/a autor(a)

Investigador. Mestre em Relações Internacionais. Doutorando em Antropologia. Ativista do coletivo feminista Por Todas Nós. Dirigente do Bloco de Esquerda.
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