A direita em colapso

porAntónio Lima

16 de novembro 2023 - 17:41
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Num ato de enorme taticismo eleitoral, os partidos da direita - os do governo e os outros - optam por criar uma crise política. E porquê? Porque a sua política falhou naquilo que mais importa ao futuro dos Açores.

Em 2020 toda a direita se uniu, assinando acordos formais e entregues ao Representante da República, esses acordos referiam-se expressamente a uma “solução política de legislatura”, um governo do PSD/CDS/PPM com o apoio parlamentar da IL e CH.

A frágil base programática dessa maioria de direita formou-se no rescaldo das eleições regionais de 2020 e está expressa nos acordos entre os partidos de direita. Esta direita, ao longo dos últimos 3 anos esteve unida nas decisões centrais da legislatura.

Elegeu o Presidente da Assembleia Legislativa, aprovou o programa de governo e aprovou três orçamentos da região. O governo, o seu programa e os seus orçamentos são única e exclusiva responsabilidade da direita. As consequências da sua política distribuem-se na proporção da sua representação parlamentar e no governo.

Sim, existiram vários rasgar de vestes e gritaria ao longo destes anos entre os partidos da direita. Mas o drama deu sempre lugar à unanimidade da direita, a que se juntou o apoio do PAN no orçamento para 2023.

Com o aproximar das eleições, a gritaria cresce e já não há muitas vestes para rasgar, sob pena de alguém dizer que os partidos da direita vão nús.

Num ato de enorme taticismo eleitoral, os partidos da direita - os do governo e os outros - optam por criar uma crise política.

E porquê? Porque a sua política falhou naquilo que mais importa ao futuro dos Açores.

A dívida pública, obsessão da direita, aumentou 614 ME em 2 anos. O Serviço Regional de Saúde tem um subfinanciamento de 50 ME. Os custos da habitação a disparar e o governo sem soluções. As escolas quase não têm funcionários para manter portas abertas e há escolas sem dinheiro para fotocópias. Há mais de 500 trabalhadores precários no SRS. 38% dos trabalhadores da região recebem o salário mínimo. O risco de pobreza aumenta, assim como o abandono escolar precoce. A SATA está prestes a ser entregue a um mero operador turístico. O investimento público não sai do papel.

É por tudo isto e pelo caminho errado para o qual a direita arrasta os Açores, que o Bloco de Esquerda votará contra o orçamento para 2024. Um orçamento que só significará a manutenção dos Açores como uma região pobre e sem futuro.

Não surpreende que as juras de fidelidade assinadas pela direita em 2020 sejam agora quebradas. E menos surpreendente é que toda a direita, bem ciente de que o orçamento em nada resolve os problemas da região, queira provocar uma crise política para fugir das suas responsabilidades.

A crise política anunciada nos Açores, que se soma à crise política nacional que se precipitou vertiginosamente e principalmente à crise que as pessoas sentem diariamente nas suas vidas, é única e exclusivamente responsabilidade do PSD, do CDS, do PPM, do CH e IL.

Está nas mãos de José Manuel Bolieiro assumir o colapso da maioria de direita que se avizinha com o chumbo do orçamento ou então arrastar a goveranação num penoso processo orçamental durante mais de quatro meses, como já pré-anunciou.

Ainda sou do tempo em que José Manuel Boleiro se afirmava o “referencial de estabilidade”. Mas não é grande exemplo de estabilidade um presidente do Governo ter dois orçamentos rejeitados em menos de 6 meses. Será a confirmação da incapacidade da direita para governar os Açores.

António Lima
Sobre o/a autor(a)

António Lima

Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores
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