Está aqui

Desemprego em cima. Salário em baixo!

Numa economia onde a única coisa que cresce é a desconfiança, as medidas de austeridade vão agravar ainda mais os indicadores agora divulgados pelo INE e Banco de Portugal.

Dois dados importantes foram divulgados na passada semana relativamente ao segundo trimestre de 2011. Os do Banco de Portugal sobre os indicadores económicos e, os do Instituto Nacional de Estatística onde se revelam os números do desemprego e da qualidade do emprego.

A par destes dados, vieram ainda a público noticias sobre a proposta de lei do Governo sobre as compensações em caso de despedimento.

Os primeiros demonstram-nos uma recessão que se aprofunda, com o Produto Interno Bruto  (PIB) português a diminuir 0,9% face ao segundo trimestre de 2010, tendo registado variação nula relativamente ao primeiro semestre; com o consumo privado a recuar 3,4% - a maior queda desde 1978; com a actividade económica a sofrer a sexta queda consecutiva;

Os segundos indicam uma descida em 0,3% na taxa de desemprego passando a 12,1% e abrangendo 675 mil pessoas. Ressalvo, como é óbvio, todos os que já não fazem parte das estatísticas há muito tempo. São os números dos pomposos nomes de “inactivos disponíveis ou desencorajados”. São ainda os/as que trabalhando apenas umas horas semanais são considerados empregados.

Analisando com maior pormenor estes dados, constatamos que o desemprego aumentou nas pessoas com mais de 45 anos o que indica que vamos ter mais desemprego de longa duração com menor cobertura social, logo mais pobreza para os desempregados.

Segundo o INE, mais de 80% dos empregos criados foram precários. É fácil então compreender que se a criação líquida de emprego aumentou - criando-se entre Abril e Junho 27 mil empregos, situação que já não se verificava desde meados de 2008 - todo o emprego que se criou é Precário.

Sabemos que assume todas as formas e feitios: contrato a prazo, recibo verde, em empresa de cedência temporária onde num posto de trabalho permanente se põem numa perversa dança dezenas de trabalhadores por umas semanas ou meses, deitando-os borda fora quando estão à beira de adquirir o direito de passar a efectivos.

Temos então, isso sim, o desemprego em cima.

Sabemos que numa economia onde a única coisa que cresce é a desconfiança, em que as medidas de austeridade se traduzirão num agravamento destes indicadores com o aumento dos impostos, o aumento dos preços, o corte nos salários e pensões em cima dos outros cortes já sofridos como é o caso do abono de família ou das bolsas de estudo, os salários ficarão em baixo.

A solução? Não será a da Troika não. A solução passa por desconstruir os fantasmas do défice e da dívida com que assustaram os eleitores por essa Europa fora. Construir a luta contra os de sempre, os mesmos donos, os senhores do capital.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, funcionária pública.
(...)