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Deixem-nos ser professores!!!

No próximo sábado, dia 26 de fevereiro, os professores voltarão à rua, ocupando-a em defesa da escola pública e da sua profissão!

Nos últimos governos, o Ministério da Educação independentemente do partido eleito, tem desencadeado uma ofensiva sobre a educação, mas sobretudo sobre os professores, que tem posto em causa a resposta social de qualidade que as crianças e jovens portugueses merecem e a que, à luz da atual Constituição, têm direito. A estratégia seguida tem sido cirúrgica: atacar os professores enquanto classe profissional, fechando e fundindo escolas, optando pelos giga-agrupamentos, alterando os currículos, cortando-os não porque se avalie a sua reestruturação e se adeque a sua atualização, mas retirando-lhe áreas, disciplinas, de forma a justificar a dispensa de docentes, aumentando o número de alunos por turma, acabando com as reduções horárias após determinados anos de idade e de trabalho, porque falamos de uma profissão de grande desgaste psicológico, aumentando o tempo para a aposentação e ameaçando já com o aumento da carga horária de trabalho!

Se a este ataque acrescentarmos os cortes nos salários, nos subsídios de férias e a inexplicável opção pela precariedade mantendo milhares de docentes a contrato há quase duas décadas, a vencerem por índices que já não se aplicam à carreira docente, sendo “legalizados” por decreto, e o que de mais grave se fez, o despedimento de milhares de professores e a colocação de muitos em mobilidade especial, a antecâmara da sua dispensa, não nos faltam razões para nos indignarmos, não nos faltam razões para irmos à luta!

Desde que o país foi ocupado pela Troika, todas estas medidas não têm sido “legitimadas” pela negociação, como deveria ser num governo que ainda se afirma democrático, porque eleito, mas sim impostas por decreto apesar de não acordadas com quem representa os trabalhadores, sempre tendo como pano de fundo o memorando e o resgaste financeiro, que têm servido de pontas de lança para a implantação de escolhas ideológicas que atiram os que vivem dias difíceis para as redes assistencialistas, para a indústria da caridade, destruindo todas as componentes solidárias que foram construídas com a contribuição remuneratória de todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras, ao longo de décadas, as tão faladas funções sociais do estado!

Com este punho de aço sobre as nossas cabeças não nos podemos resignar, nem desistir, temos que lutar, pelo tempo que for necessário, com a razão maior que é a defesa do futuro das crianças do nosso país, a defesa da democracia, porque tenho uma certeza a de que quem luta pode ganhar ou perder, mas quem não luta perde sempre! Até sábado!

Sobre o/a autor(a)

Candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal da Amadora e deputada municipal. Professora aposentada. Dirigente sindical.
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