Está aqui

Da defesa, ao contra-ataque

Olhando para o exemplo da Grécia, podemos concluir que é possível com coragem e determinação responder à inevitabilidade das medidas de exploração e empobrecimento. Há alternativas reais a estas políticas.

Na Grécia o povo de esquerda passou ao ataque e nas eleições de domingo passado, após muitas lutas, abriu um caminho de esperança para todos os que em cada País estão contra a ditadura da austeridade imposta pelas diversas Troikas.

Aqui em Portugal ainda estamos à defesa e sujeitos a sofrer jogadas perigosas e golpes brutais dos que estão do lado da Troika como o Governo, o PS, a UGT e com toda a “ naturalidade “ Cavaco Silva, que sem surpresas promulgou o decreto que procede à terceira alteração ao Código do Trabalho.

Um verdadeiro e perigoso ataque aos trabalhadores e aos direitos do trabalho. No fundo o que pretendem é alterar a correlação de forças entre trabalhadores, patrões, Estado e modificar a seu favor o poder dentro das empresas. Querem ajustar contas com Abril.

Todos sabemos que não são as alterações às leis laborais, que recuperam o investimento, criam novos postos de trabalho e relançam de forma sustentada a economia. Cavaco Silva, até pela sua condição de economista sabe isto muito bem, pelo que a sua posição revela uma enorme hipocrisia e dá um claro sinal à classe que defende. Podem sempre contar com ele para aumentar a exploração dos que vivem do trabalho.

Maior facilidade em despedir; redução do valor das indemnizações por despedimento; mais flexibilidade na gestão do tempo de trabalho (banco de horas individual e grupal); corte no valor do pagamento das horas extras; eliminação de 4 feriados e 3 dias de férias; ataque à contratação e negociação coletiva. Este é o núcleo do ataque agora desferido contra o Trabalho, mas já sabemos que o Governo se comprometeu perante a Troika a apresentar novas medidas para vulnerabilizar ainda mais o campo dos trabalhadores. Sem querer pôr “ o carro à frente dos bois “ a experiência diz-nos que não basta reagir é fundamental agir desde já.

Reconhecendo que o altíssimo nível de desemprego registado no País, mais de 1,244 milhões de pessoas, acrescido duma enorme precariedade nas relações contratuais, cria um ambiente de medo e insegurança aos que têm emprego, não podemos deixar de acompanhar o apelo da CGTP a um combate permanente nos locais de trabalho mas também nas ruas e praças das nossas vilas e cidades, onde se juntem no protesto contra os dignitários do regime, os desempregados, os precários, os reformados, sem excluir ninguém nem nenhuma forma de luta.

Sem quaisquer maniqueísmos, olhamos para o exemplo da Grécia e podemos concluir que é possível com coragem e determinação responder à inevitabilidade das medidas de exploração e empobrecimento. Há alternativas reais a estas políticas.

Passar das palavras aos atos e da resistência ao contra-ataque é o caminho que temos obrigação de ajudar a construir com todas e todos aqueles que sofrem na pele os efeitos deste regime austeritário e estão disponíveis para transformar a resignação que ainda existe, em indignação e luta.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente sindical, membro do Conselho Nacional da CGTP
(...)