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Contradições

Nos Açores, o cenário não é muito diferente. O ódio de Ventura recai sobre os pobres – beneficiários do RSI. Acerca das grandes empresas que fogem ao fisco, amealhando milhões em paraísos fiscais, nem uma palavra.

André Ventura, líder nacional do chega, foi multado em 438,81 euros por discriminar ciganos, numa publicação em agosto na rede social Facebook.

Ventura tem por hábito atacar as minorias, incidindo frequentemente na comunidade cigana em Portugal, tendo, inclusive, colocado como condição de viabilização de um Governo de direita o “resolver a questão dos ciganos”.

Nos Açores, o cenário não é muito diferente. O ódio de Ventura recai sobre os pobres – beneficiários do RSI. Acerca das grandes empresas que fogem ao fisco, amealhando milhões em paraísos fiscais, nem uma palavra.

André Ventura pode ser condenado pelo Ministério Público, pelo crime de discriminação racial, cuja pena máxima é de cinco anos de prisão. Isto contraria claramente o artigo 46.º da Constituição da República Portuguesa que impede “organizações racistas que perfilhem a ideologia fascista”.

Foi nas mãos deste racista que o “ourives” - Presidente do novo Governo Regional - colocou o futuro dos Açores. A sede de poder foi tão grande que as consequências não foram analisadas. Aqui, sim, foi o “p´rá frente é que é caminho”, sem olhar às canadas que se abriam.

Durante este mês, tempo que levou à construção do novo governo, muitas contradições se leram. O que tinha sido negociado em Lisboa, era aguardado nos Açores em banho-maria, e vice-versa.

Mas, numa coisa todos os intervenientes partidários coincidiram: a tentativa de demarcação do ch.

Embora argumentem e tenham arregimentado quem escreva umas linhas a desculpabilizar a opção pela entrada da extrema direita nos acordos, há sinais claros de vergonha!!

Exemplo disso, é o líder nacional do CDS-PP, ter afirmado que havia sido celebrado um acordo unicamente com PSD e PPM e, no dia seguinte, ser desmentido pela assinatura de Artur Lima no acordo que contava com a assinatura do ch...

Ainda a respeito de Artur Lima - Vice-Presidente do novo Governo Regional – enquanto candidato a deputado, num artigo da sua autoria, escrito a 7 de outubro, pedia uma reflexão para o futuro e para aquilo que se pretendia para o futuro: “Temos de refletir se queremos entregar o nosso futuro a quem quer apenas a alternância e recusa fazer parte da alternativa política. (...)Temos de refletir se o caminho é um liberalismo económico que se sobrepõe às necessidades do nosso povo e que, em coerência, privatizará tudo o que puder, deixando apenas o direito à saúde e à educação para os que tiverem dinheiro.
Temos de refletir se queremos dar força à extrema-direita que discute propostas contrárias aos direitos humanos ao mesmo tempo que incita à intolerância e à discriminação, usando o ódio como instrumento das massas(...).”.
Artur Lima acabava o seu artigo dizendo que a escolha certa era o CDS porque “Somos democrata-cristãos. Temos um ideal de justiça social. Queremos uma sociedade mais justa e solidária com os valores do nosso povo.”.

Não é estranho que, após esta dissertação acerca do ideal para os Açores, tenha assinado acordos exatamente com quem, segundo o próprio, não tinha alternativa política (PSD), queira tudo privatizar (IL) e com quem tem propostas contrárias às dos direitos humanos e faça uso do ódio (ch)?! É o CDS confiável?

Quanto ao XIII Governo: contrariando a tão badalada renovação, de novo tem pouco e de pouco trabalho produzido tem algumas caras. Ao contrário do que se esperava, há o aumento de secretarias e, por consequência, o número de pessoas.

O “Ourives” tem uma jangada amarrada com fios de seda! A “Jóia” não promete muito.

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores. Licenciada em Educação. Ativista pelos Direitos dos Animais. Coordenadora do Bloco da Ilha Terceira
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