Está aqui

O 'day after'

Não sendo a crise em que nos estão a afundar uma crise portuguesa, é aqui que a podemos e devemos combater nos seus fundamentos.

Quatro notícias de ontem (quinta feira). Primeira: a Fitch decidiu baixar o rating de Portugal para "lixo". Entre os motivos para essa decisão está a revisão em alta dos valores da recessão que vai afetar a economia portuguesa e a inerente noção de que a qualidade dos ativos bancários vai deteriorar-se e de que a dívida só tende a aumentar. Segunda notícia: os juros da colocação de dívida com maturidade de dois anos, ontem registados, subiram em Portugal e atingiram máximos históricos (118%) na Grécia. Terceira notícia: a Alemanha não conseguiu colocar em mercado metade da dívida a 10 anos que pretendia, o que foi explicado pelos analistas como resultando dos extremos receios dos mercados acerca da rápida degradação da situação económica e financeira em toda a zona euro. Na verdade, os juros das dívidas francesa e belga entraram já em espiral de crescimento, o que levou a Moody's a ameaçar pôr fim ao triplo A do rating de França. Quarta notícia: a greve geral em Portugal registou uma mobilização sem precedentes em todos os setores.

Lembrava ontem o Financial Times que foi tarde demais que os passageiros de primeira classe do Titanic tomaram consciência de que no naufrágio do navio eles naufragariam também. É uma metáfora certeira para a crise europeia. A tese de que quando o fogo da crise chamuscar as barbas da Alemanha e da França então tudo se resolverá é dramaticamente ilusória. A verdade é que o fogo já está nas suas casas. E eles continuam a regá-lo com gasolina. O que leva Angela Merkel e Nicolas Sarkozy a insistir na receita da austeridade recessiva é muito mais que o seu visível desdém para com as economias da periferia europeia: é o fundamentalismo ideológico que transforma o défice zero em dogma, mesmo - e sobretudo - quando isso acarreta a incineração do mais ténue vestígio de serviço público e de Estado social, seja na periferia seja nos seus próprios países. Não se arrependem porque é precisamente isso que querem em primeira linha. Na sua delirante irresponsabilidade, mostram estar convictos de que se for preciso destruírem a União Europeia para manterem os juros do financiamento das suas economias baixos - sim, a França e a Alemanha também se endividam... - levarão o projeto até ao fim. Sucede que, entretanto, as notícias de ontem mostram que Alemanha e França estão já a começar a naufragar nesse naufrágio que provocaram à União Europeia. Talvez dêem sinais de preocupação quando o ângulo de inclinação do navio for já de dimensão irreversível. Tanto pior para eles e para nós: a orquestra no tombadilho toca já as últimas valsas cuja melodia se mistura com o mergulho final do barco.

Foi por tudo isto que a greve geral de ontem em Portugal foi tão importante. Porque, não sendo a crise em que nos estão a afundar uma crise portuguesa, é aqui que a podemos e devemos combater nos seus fundamentos. Quando Vítor Gaspar diz com leveza que afinal a recessão - ou seja o empobrecimento - da nossa economia vai ser mais grave do que ele previa, confessa assim que quem nos governa não tem a mínima noção dos efeitos das suas decisões. Ou melhor, que a tem mas se está basicamente nas tintas para isso. Afinal de contas foi este Governo que nos brindou com esse expoente da novilíngua orwelliana de que é empobrecendo que ficaremos mais ricos. Trazer para a rua a consciência da imensa irresponsabilidade que tudo isto significa para o país foi um ato de patriotismo sem o qual a tecnicidade das alternativas não terá sentido. O que ontem tanta e tanta gente disse ao país foi que diante da alucinação ideológica que condena Portugal a naufragar a abstenção é o som da valsa da orquestra do tombadilho. Ou do foxtrot, se for uma abstenção violenta.

Artigo publicado no jornal “Diário de Notícias” de 25 de novembro de 2011

Sobre o/a autor(a)

Deputado e Vice-Presidente da Assembleia da República. Dirigente do Bloco de Esquerda, professor universitário.
(...)

Resto dossier

Greve Geral 2011

 A greve parou grande parte do país e trouxe para a rua a indignação – foi a primeira vez que a CGTP organizou manifestações e concentrações na greve e juntaram-se movimentos sociais, como os de precários, a esta paralisação. Em Portugal há um povo que luta contra o assalto aos subsídios, o aumento do horário de trabalho e os cortes na saúde, na educação e na segurança social.

Pequenos grandes nadas

Um dado parece adquirido: foi a maior Greve Geral de sempre tanto no sector público como no privado.

All Together Now

Não existiu uma manifestação, mas sim um desfile delas. Em todas sentia-se combatividade e a tão necessária vontade de mudança.

Die Linke solidário com grevistas portugueses

O partido alemão Die Linke enviou ao Bloco de Esquerda uma declaração onde expressa a sua solidariedade para com os grevistas portugueses e felicita a “coragem” para “resistir à chantagem exercida por muitos governos europeus, sobretudo o alemão”.

Greve geral: O grito de um povo

A greve geral é um grande protesto contra a desastrosa política de austeridade imposta pelo governo PSD e pela troika. Nesta luta constrói-se unidade para mudar a situação no país, juntam-se pontes para lutar pela mudança na UE.

O 'day after'

Não sendo a crise em que nos estão a afundar uma crise portuguesa, é aqui que a podemos e devemos combater nos seus fundamentos.

Trabalhar, trabalhar, trabalhar

A força da greve de dia 24 de Novembro não pode ficar por aqui. Tem que continuar, dia a dia, mas terá, certamente, que ser chamada a comparecer nas ruas noutra grande mobilização de greve geral.

Portugueses de França na greve geral

Reportagem da participação na greve geral de 24 de Novembro dos portugueses residentes na França, que tiveram o apoio dos Indignados franceses.

Greve geral: Grande dia para os portugueses das comunidades da diáspora

Crónica de Cristina Semblano na Emission Pluriel da rádio Arc-en-ciel difundida a 25 de novembro de 2011.

A criminalização da Greve Geral

História de uma tese e de uma operação que não vingou.

Greve Geral - Metro de Lisboa

Francisco Louçã esteve com vários piquetes de greve em Lisboa nas primeiras horas da Greve Geral. A primeira etapa da noite passou pelo Metro de Lisboa.

Greve Geral: transportes praticamente parados

Os aviões estão em terra nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Na CP, os serviços mínimos não estão a ser cumpridos e segundo os sindicatos, regista-se uma “paralisação total” na Soflusa, na Transtejo, na STCP e no Metro de Lisboa. Na Carris, apesar dos confrontos com a polícia, há fortes perturbações nos serviços, tal como na Vimeca.

Grande adesão à greve geral paralisa recolha do lixo

Em grande parte dos municípios, a adesão dos trabalhadores paralisou completamente a recolha do lixo. O sindicato dos trabalhadores da administração local (STAL) denuncia as medidas de coação em Oeiras, com intervenção do Serviço de Intervenção Rápida da PSP, e em Sintra, onde foi contratada uma empresa privada para substituir os grevistas.

Intervenção policial no piquete da Carris, na Musgueira

Pelas 7h, o corpo de intervenção da PSP quebrou o piquete da Carris, na Musgueira, onde se encontravam cerca de 50 pessoas, entre sindicalistas e populares. Um membro dos Precários Inflexíveis e outro da ATTAC ficaram com marcas da violência policial. A madrugada ficou ainda marcada por incidentes policiais noutros piquetes de greve. 

Greve geral noticiário das 10h

Noticiário do esquerda.net emitido às 10 horas. Reportagem em vídeo da intervenção policial contra o piquete de greve da Carris na Musgueira em Lisboa, dos piquetes noturnos no Metro de Lisboa e na estação dos CTT de Cabo Ruivo e da Autoeuropa às 7 horas da manhã.

Piquete de greve impedido de entrar na fábrica da Renault em Cacia

A administração da Renault impediu o piquete de greve de entrar nas instalações e recorreu à Guarda Nacional Republicana para travar os grevistas à entrada da fábrica, denunciou esta manhã o dirigente da União dos Sindicatos de Aveiro.

Imagens da Greve Geral I: Piquetes da noite e manhã

Fotos de Entroncamento (CP), Coimbra (serviços municipalizados), Olhão (Ambiolhão), Autoeuropa, Carris, CTT Lisboa e RTP.

Greve Geral: CGTP congratula-se com adesão "muito significativa" dos trabalhadores

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, congratulou-se com a participação “muito significativa dos trabalhadores" na greve geral desta quinta-feira. “É uma mensagem clara contra o aumento da exploração e contra o empobrecimento”, disse.

Greve geral noticiário das 11 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 11 horas, com reportagem do piquete no Metro do Porto, da Faculdade de Letras no Porto e na RTP.

Greve geral noticiário das 12 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 12 horas, com reportagem do desfile da CGTP em Coimbra e em Setúbal.

O país em Greve Geral - dados por regiões

Naquela que já é considerada “uma das maiores greves gerais realizadas em Portugal”, os transportes, as escolas, as universidades, os hospitais, os serviços e muitas fábricas paralisaram. Disponibilizamos aqui as informações que foram chegando das várias regiões.

Imagens da Greve Geral II

Fotos da cidade da Maia paralisada, de piquetes nos distritos de Braga e Aveiro, de concentrações em Coimbra e Setúbal, de uma escola de Pombal, da Fertagus e da RTP.

Greve geral - noticiário das 13 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 13 horas, com reportagem no piquete da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e da baixa do Porto.

Greve Geral: milhares de grevistas em S. Bento

A manifestação promovida pela CGTP chegou a S. Bento, depois de percorrer as ruas da Baixa lisboeta com milhares de manifestantes. Milhares de ‘indignados’ desfilaram pela Av. da Liberdade até ao encontro do protesto da maior central sindical do país. 

Concentrações de apoio à greve portuguesa

Na Galiza e em Atenas, trabalhadores galegos e gregos fazem concentrações diante de consulados e embaixadas portuguesas e entregam notas de solidariedade com os trabalhadores de Portugal.

Greve Geral: muitas escolas e faculdades encerradas devido à paralisação

A Greve Geral desta quinta-feira contou com uma forte adesão dos professores, educadores e investigadores portugueses que, em muitos casos, superou os valores verificados há um ano. “O ensino superior fez das maiores greves de sempre!”, lê-se no site da Fenprof.

Greve geral - noticiário das 14 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 14 horas, com reportagem do desfile da distrital do Bloco em Lisboa.

Greve geral - noticiário das 15 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 15 horas, com reportagem da concentração em Lisboa e Aveiro.

Greve geral - noticiário das 16 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 16 horas, com reportagem da concentração de Faro.

Greve geral - noticiário das 17 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 17 horas, com reportagem da concentração em São Bento e de Vila Real.

Nova Greve Geral é "passo inevitável para a continuação da luta"

A deputada do Bloco Mariana Aiveca realçou a enorme adesão à greve, quer no setor público como no privado. Carvalho da Silva sublinhou que os sacrifícios exigidos aos portugueses servem para pagar “aos credores e agiotas” e João Proença acusou o governo de manipular dados sobre a adesão à greve. Ver vídeo.

Greve geral - noticiário das 18 horas

Noticiário do esquerda.net emitido às 18 horas, com reportagem da concentração em São Bento e entrevista com Mariana Aiveca sobre o balanço desta Greve Geral.

Greve geral: Água mole em pedra dura...

Miguel Portas comenta a Greve Geral de 24 de Novembro no programa "Conselho Superior" da Antena 1.

Nova Greve Geral é "passo inevitável para a continuação da luta"

Mariana Aiveca realçou a enorme adesão à greve, quer no setor público como no privado, e comenta as declarações dos líderes da CGTP e da UGT sobre a hipótese de convocar uma nova greve geral.

A Greve Geral no esquerda.net

Resumo da emissão especial do esquerda.net na Greve Geral de 24 novembro 2011.

Os sérios avisos de uma grande greve geral

Foi um aviso sério ao governo que, no outro lado da greve geral, não tem nada para oferecer ao país e que se encarniça apenas na defesa da política de austeridade sem nenhum horizonte palpável para a vida das pessoas.

Plataforma 15-O acusa polícia de incitar à violência

A plataforma 15 de Outubro denunciou a presença “ilegal” de agentes da polícia infiltrados na manifestação que teve lugar no dia da Greve Geral. Repudiando a imagem de violência que, dizem, tem vindo a ser associada ao movimento, apresentaram imagens de polícias incitadores no meio dos manifestantes.