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Autárquicas: unir ou dividir para reinar?

Ou a mudança ocorrida em 2013 [na região autónoma da Madeira], se consolida e reforça a esperança de arejar o poder regional pela primeira vez, ou o mofo laranja volta a alastrar e a asfixiar.

As autárquicas de 2017 vão determinar em boa medida os resultados das regionais em 2019, um ano e meio separam os dois atos eleitorais. Ou a mudança ocorrida em 2013 se consolida e reforça a esperança de arejar o poder regional pela primeira vez, ou o mofo laranja volta a alastrar e a asfixiar.

O PS e as opções que tomar serão determinantes para o desfecho: ou assume esta urgência, a ambição de ar fresco e lidera um movimento amplo que impeça o alastrar do mofo; ou se remete para uma pequena disputa pelo papel de líder da oposição. Os sinais são contraditórios. No Funchal o PS mostra querer a reedição da solução ganhadora de 2013, mas em Santa Cruz elege como adversário aquele que antes apoiou.

Num caso segue a lógica da união de forças, no outro aparentemente prefere dividir. O risco é esgotar-se em lutas menores e chegar ao embate seguinte sem condições de o vencer. As tricas e ajustes de contas dentro ou entre os partidos da esquerda têm sempre o mesmo efeito: dão força ao PSD e à sua bengala.

Ao eleger o JPP como adversário, o PS facilita o regresso ao poder do PSD em Santa Cruz e em concelhos vizinhos, o que compromete a ambição de apresentar-se em 2019 como alternativa de poder. Contribuirá para dar o novo alento a Miguel Albuquerque de que tanto precisa.

A escolha para o PS está entre afirmar a sua marca própria, ou construir uma alternativa credível, abrangente e ganhadora aos olhos dos eleitores. Uma alternativa acima dos interesses individuais e partidários, focada nas respostas concretas aos estrangulamentos da economia madeirense, os quais o PSD irá sempre manter. Uma alternativa para as autárquicas, mas com horizonte para lá de 2019, com uma visão de futuro sobre o desenvolvimento da Madeira, com propostas sérias para o emprego e não meros remendos de curto prazo para responder aos ciclos eleitorais.

Uma solução que liberte a região dos interesses parasitários, que instaure uma vivência democrática e participativa e uma maior justiça social. O Bloco de Esquerda está disponível para contribuir para uma tal solução.

Artigo publicado no “Diário de Notícias da Madeira” a 6 de dezembro de 2016

Sobre o/a autor(a)

Coordenador do Bloco de Esquerda / Madeira. Economista, dirigente da Administração Pública.
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