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Austeridade, despesismo ou solidariedade?

O partido do Estado mínimo e da concessão a privados dos espaços e bens públicos e o do esbanjamento propagandístico de recursos públicos para se eternizar no poder são afinal um só e o mesmo.

Primeiro foi estridente. Agora continua em surdina. Mas voltará à ribalta já que parece destinado a ser o debate das próximas eleições autárquicas. O “partido Rio” enfrenta o “partido Menezes”. Dois modelos de gestão autárquica simbolizados a norte no que Luís Filipe Menezes fez em Gaia e no que Rui Rio fez no Porto. No Oeste poderia ser, com outros contornos, Telmo Faria em Óbidos contra Fernando Costa em Caldas da Rainha.

Aparentemente o contraste é simples já que se trata de duas escolhas diametralmente opostas: a aposta na despesa pública ou a contenção austeritária. Na verdade, as coisas não serão bem assim e nem o “partido Menezes” é obviamente o campeão do investimento público produtivo nem os defensores da poupança escapam às suspeitas de que a contenção exibida carrega afinal faturas escondidas.

A narrativa deste confronto parece, aliás, ser tendencialmente favorável a mostrar a austeridade como “a política séria” contra o regabofe. Sócrates no país e Menezes na sua autarquia encarnariam um despesismo insustentável. Sem alternativa, seria, pois, tempo de privatizar as funções sociais do Estado.

Ao populismo da obra de fachada e do efeito fácil, responde assim uma nova forma de populismo que junta a ostentação da austeridade, o ódio pela cultura e pela diferença e os tiques autoritários. Um austeritarismo pós-Coelho em estágio para outros voos.

É preciso remar contra esta maré afirmando que o partido do Estado mínimo e da concessão a privados dos espaços e bens públicos e o do esbanjamento propagandístico de recursos públicos para se eternizar no poder são afinal um só e o mesmo. Encontram-se na defesa do status e das elites dominantes através de estratégias diferentes. E são o contrário de uma política local de esquerda que se centra na criação de emprego ecologicamente sustentável e na defesa do espaço público, na justiça social e na redistribuição da riqueza.

É preciso remar contra esta maré e derrotar a coligação do “Partido Rio” como o “Partido Menezes” que constitui o poder perene que levou o país à maior crise da história da sua democracia. É esse o debate das eleições de Setembro.

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Professor.
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