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Abriu a época do dramalhão

Desde que a atual maioria de direita governa os Açores que, com o aproximar da época do debate e aprovação do plano e orçamento, os partidos que apoiam o governo acotovelam-se para ver quem é que assusta mais o governo, fingindo que estará em risco a aprovação do orçamento.

Desde que a atual maioria de direita governa os Açores que, com o aproximar da época do debate e aprovação do plano e orçamento, que os partidos que apoiam o governo - o que resta do Chega, o Chega II (Carlos Furtado) e o IL - acotovelam-se para ver quem é que assusta mais o governo, fingindo que estará em risco a aprovação do orçamento.

Como é óbvio ninguém no governo os leva a sério até porque alguns terão lido a fábula de Pedro e o Lobo.

É normal que, no momento definidor da ação do governo para o ano seguinte, a aprovação do plano e orçamento, os partidos todos afirmem as suas prioridades.

O problema é que os apoiantes do governo no parlamento não têm ideias nem propostas para o orçamento ou para a região. O que dizem sobre a inflação? Nada, ou que ninguém pode fazer nada para a contrariar, na versão liberal. O que propõem ou defendem sobre o Serviço Regional de Saúde? Eu, que oiço na íntegra todos os debates sobre saúde que acontecem no parlamento (e na semana passada foram três), não consigo apontar uma ideia que estes partidos tenham apresentado.

Então com que se entretêm os parceiros parlamentares da coligação de governo? A IL, em pleno agosto, avisa que não podem contar com eles para continuar “a governar os Açores com tanta incompetência e arrogância.” E a que se deve a amofinação liberal? A um parque de estacionamento pago que segundo os Liberais não respeita a propriedade privada. Sim, um parque de estacionamento! Ao mesmo tempo, a IL ignora o facto de ter sido enganada na questão do limite ao endividamento para 2022 que colocou como condição para aprovação do orçamento. Esse limite foi contornado pelo governo através da conversão em dívida pública da região de avales concedidos à SATA. No entanto, como isso já são assuntos demasiado sérios, a IL finge que não existem para não beliscar o poder da direita.

Agora, Carlos Furtado, deputado independente que apoia o governo, antevendo semelhante ultimato do ex-colega do Chega, afirma que o acordo de incidência parlamentar está “ferido de morte” devido a críticas do PPM. É curioso verificar que não é devido a políticas, dessas que afetam a vida das pessoas e sobre as quais estão de acordo, mas sim devido a uma crítica num debate parlamentar.

O Chega, esse ameaça deitar abaixo o governo de dois em dois meses por isso não tardará uma nova ameaça tão oca quanto todas as outras.

No fim, o orçamento muito provavelmente passará com o apoio de toda a direita e terá a mesma ausência de respostas para os problemas da região.

Mas desenganem-se aqueles que acham que é a existência de uma maioria relativa a causa de todos os males da atual maioria de direita. O problema é a total ausência de um projeto para os Açores dos partidos e do deputado que conferem maioria à coligação de governo no parlamento.

Uns vendem apenas a ilusão de que se reduzirmos muito a despesa e baixarmos muito os impostos, principalmente às empresas, a região ficará mais rica. O que não dizem é que a grande despesa da região é com saúde e educação e que o que propõem destrói a capacidade da região em prestar esses serviços essenciais. Os outros fomentam pequenos ódios entre açorianos para os fazer esquecer dos seus verdadeiros problemas.

A verdade é que entramos na época do dramalhão. Mas enquanto a direita se entretém nos seus jogos de poder, há problemas urgentes a resolver na região. É a isso que o Bloco se vai dedicar.

Sobre o/a autor(a)

Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores
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