Marisa Matias

Marisa Matias

Dirigente do Bloco de Esquerda, socióloga.

Na Amadora vive-se um estado de exceção legal e são usados meios públicos para defender interesses privados com o intuito único de retirar o teto a quem dele precisa. Assistimos, assim, a uma clara violação dos direitos humanos mais básicos, como é o direito à habitação.

Precisamos muito que a firmeza e clareza do novo governo grego seja acompanhada e apoiada. As eleições foram na Grécia, é certo, mas é em defesa dos povos da Europa que se levanta a voz do primeiro-ministro grego.

A experiência de estar na Grécia por estes dias é de uma intensidade esmagadora. Toda a gente em suspenso e toda a gente em movimento ao mesmo tempo.

A ONU denuncia aquilo que muitos em Portugal já disseram. A austeridade em Portugal desencadeou uma catástrofe humanitária. As causas não são naturais. São humanas.

No dia mundial da diabetes seguramente todos dirão o quão empenhados estão no combate à epidemia, mas nos outros dias, nos dias de fazer as contas ao orçamento que se vai aplicar, nos dias de fazer as escolhas políticas no âmbito do Estado social, lá se vai o respeito pela doença e por quem vive com ela.

O direito comunitário diz que todos os credores devem ser chamados à responsabilidade e o governo de Pedro Passos Coelho decidiu proteger alguns: os grandes. Com o dinheiro de todos nós decidiu que se lhes ia pagar, mas apenas aos tubarões.

O Tribunal Russell reuniu esta semana, no dia 24, em Bruxelas para uma sessão extraordinária em resultado da guerra em Gaza. É por demais evidente que foram cometidos crimes de guerra em Gaza, crimes contra a humanidade, crimes que nos deveriam envergonhar a todos.

Os novos nomeados a comissários são aqueles que em cada país executaram na perfeição as diretrizes da austeridade como religião. Foram mesmo os oportunistas da crise. É também por isto que Carlos Moedas tão bem encaixa no perfil dos novos nomeados para o colégio de comissários.

A execução orçamental mostrou que a estratégia do governo continua a caracterizar-se por um retumbante falhanço e que, por causa da dívida, do lado da despesa continua a haver derrapagens apesar de todos os cortes nos serviços públicos, nos direitos e nos salários.

Os direitos sexuais e reprodutivos e o direito à escolha foram resultado de lutas intensas e importantes. Recuar neste domínio é fazer tábua rasa dessas conquistas.