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Praxe ou bullying?!

A violência física e psicológica de que se revestem estes rituais iniciáticos, pelo exercício reiterado de prepotência e de submissão, constituem de facto bullying.

Ainda não está provado que a praxe académica esteja na origem da morte de seis estudantes na praia do Meco. Mas o debate desencadeado por este trágico acontecimento tem trazido para a ordem do dia a violência física e psicológica de que se revestem estes rituais iniciáticos que, pelo exercício reiterado de prepotência e de submissão, constituem, de facto bullying.

Mas há quem não queira ver ou ouvir e muito menos refletir sobre a violência na praxe, gente que assobia para o lado como se nada se passasse. Pessoas como Manuel de Almeida Damásio, administrador da Universidade Lusófona que, face a vivências de jovens a rastejar, na zona do Meco, com pedras atadas nos pés, considera estar perante uma saudável e divertida brincadeira, como a que acontece quando “as crianças jogam com o pau ou com o berlinde.”

Defensores da praxe argumentam que esta é integradora, que potencia sentimentos de partilha e promove laços duradouros entre os participantes. Mas integrar em quê e para quê? Na realidade, o que está subjacente a esta prática é a violência real ou simbólica, exercida por quem detém o poder, e a consagração de atitudes conservadoras e obscurantistas, como o sexismo. As imagens do documentário Praxisde Bruno Cabral são, a este respeito, bastante esclarecedoras!

Outro argumento recorrentemente utilizado pelos defensores da praxe é o da tradição, como se esta fizesse parte do código genético do ensino superior! Julgávamos nós que o conhecimento, o exercício do pensamento crítico, e a liberdade, património conquistado por muitas gerações que lutaram em tempos de obscurantismo e ditadura, esses sim, constituíam as grandes referências estudantis!

Por seu turno, a direita convive bem com a praxe, mesmo quando esta assume formas mais violentas. Só assim se explica a inviabilização, em 2011 e 2012, pelo PSD e CDS, de propostas do Bloco de combate à violência na praxe académica! Vejamos como se vai posicionar agora face ao novo projeto de resolução apresentado no dia vinte e nove, quando o país é atravessado pelo debate em torno da violência na praxe!

Certo é que a realidade não se compadece com sucessivos adiamentos no combate à violência! É imperioso que quem está à frente do Ministério da Educação e das instituições académicas assuma a sua responsabilidade nesta matéria.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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