Bruno Candeias

Bruno Candeias

Dirigente do Bloco de Esquerda

Num momento em que o centro de gravidade político se desloca para a direita a par de alterações geopolíticas significativas que nos convocam para novos desafios, a esquerda não pode ceder na luta entre capital e trabalho, sob pena de perder espaço e o seu projeto ser esmagado.

As fontes de energia renovável são várias, mas vamos à Solar. Neste caso, a produção deve ser feita preferencialmente através de um modelo descentralizado e pontualmente centralizado (com instalação em solos improdutivos ou espelhos de água). Lamentavelmente, não é esta a opção prevista no PNEC.

Ventura escolheu agradar aos sectores ultraconservadores, e o que isso nos diz é que estamos perante a constatação de que o populismo está a perder para a afirmação de um partido vincadamente neofascista. E isso não é uma rotura com o sistema é o regresso a um passado mais obscuro.

Passam hoje 10 anos do assassinato de três ativistas Curdas, em Paris. No caso, o suspeito estava ligado aos serviços secretos Turcos e uma das vítimas era Sakine Cansiz, co-fundadora do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e a principal representante do Movimento das Mulheres Curdas.

O barão do fóssil, Costa e Silva, afirmava há poucos dias, que é necessário “preparar Sines para o pós-carvão”, mas talvez seja mesmo necessário é preparar Sines para quem cá vive e trabalha, com justiça social e ecológica.

Esta oportunidade anunciada de afirmar Sines e Portugal na Europa, mais parece uma oportunidade histórica para António Costa poder nadar na piscina dos grandes, uma oportunidade com custos desastrosos.

Mesmo o branqueamento da propaganda não consegue esconder uma região em perigo, uma terra onde os processos acelerados de destruição ambiental servem apenas o lucro, deixando para trás a degradação social, a precarização do trabalho e os restos de uma natureza outrora paradisíaca.