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Inflação em recorde de trinta anos

Em abril, a taxa de inflação atingiu os 7,2%, o valor mais alto em trinta anos. É preciso recuar a 1994 para encontrar um mês em que a subida dos preços tenha sido tão acentuada.
Evolução da inflação em Portugal desde 1986

O que é a inflação?

A inflação é a variação média, ao longo de um determinado período, do preço do cabaz de bens e serviços adquirido pelo consumidor-tipo. Numa economia de mercado, os preços dos diversos bens e serviços oscilam por diferentes motivos e a diferentes ritmos. Para acompanhar estas mudanças, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) mede a evolução média dos preços de um cabaz de bens e serviços representativo da despesa dos consumidores no país.

Por sua vez, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) é calculado pelos vários países da União Europeia, de forma a permitir comparações entre eles. O IHPC distingue-se por considerar adicionalmente a despesa realizada por não-residentes, designadamente turistas, no território português.

O que provoca a subida da inflação?

As pressões inflacionistas podem surgir por um aumento súbito da procura dos consumidores face à oferta, sobretudo em setores de bens inelásticos, por uma disrupção nas cadeias de produção e distribuição, por um aumento dos custos das empresas (produção, armazenamento, transporte, distribuição e também salarial) repercutido nos preços que praticam, por um elevado poder de mercado das empresas num determinado segmento do mercado (que lhes permite aumentar as margens), por um aumento dos preços nos mercados internacionais, entre outros.

Tendo em conta os fatores que influenciam a inflação, é importante reconhecer que não existem soluções únicas ou definitivas para este fenómeno. Identificar a origem da escalada dos preços em cada contexto é o primeiro passo para identificar que tipos de medidas serão mais eficazes.

Quando é que a inflação se torna um problema?

Os dados do Eurostat mostram que o aumento dos preços tem sido menor em Portugal quando comparado com outros países da Zona Euro. A inflação não deixa por isso de ser um fenómeno preocupante, que merece reflexão e resposta.

Níveis moderados de inflação estão normalmente associados a períodos de crescimento económico sustentado, com a redução do peso das dívidas no PIB. Pelo contrário, a deflação - a queda generalizada dos preços - é responsável por uma espiral de perda de valor dos ativos financeiros e de aumento relativo da dívida na sociedade.

A inflação moderada torna-se num problema económico e social quando causa perda generalizada de poder de compra, sobretudo face ao aumento do preço dos produtos essenciais, e distorce as cadeias de abastecimento.

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Neste dossier:

Respostas da esquerda ao aumento da inflação

No momento em que a inflação bate recordes das últimas décadas e o Governo se recusa a atualizar salários para evitar a perda do poder de compra, divulgamos aqui os conteúdos do relatório "Inflação: uma crítica de esquerda aos argumentos e medidas do Governo", apresentado pelo Bloco de Esquerda a 6 de maio de 2022.

Enquanto a luz aumenta, barragens continuarão a ter lucros excessivos

A alta de preços da eletricidade é potenciada pelo mercado elétrico europeu, desenhado para garantir a rentabilidade do setor energético privatizado e liberalizado. Mesmo com as correções negociadas pelo governo em Bruxelas, as barragens continuarão a beneficiar de lucros excessivos que o governo não quer tributar.

Hecatombe nos salários: mais pobreza, mais concentração da riqueza

Em Portugal, os trabalhadores perderam salário em 2021 e 2022. E mesmo o aumento do salário mínimo em 6% não compensa o aumento de preços dos bens essenciais. Por efeito da inflação, o salário vai acabar mais cedo em cada mês e a parte dos salários na distribuição da riqueza nacional vai diminuir.

Inflação em recorde de trinta anos

Em abril, a taxa de inflação atingiu os 7,2%, o valor mais alto em trinta anos. É preciso recuar a 1993 para encontrar um mês em que a subida dos preços tenha sido tão acentuada.

Uma resposta de esquerda à inflação

Dar prioridade à proteção dos salários, limitar as margens de lucro excessivas e tributar lucros extraordinários são medidas que deviam integrar a política orçamental. Mas também é preciso um mecanismo de controlo de preços, a começar pela energia e distribuição alimentar.

Aumentar salários alimenta inflação? Uma desculpa errada

Em resposta ao Bloco, António Costa recusou aumentos salariais sob o argumento de que "são consumidos pela inflação". O primeiro-ministro fala de uma "espiral que depois ninguém sabe como é que se controla”. Os patrões aplaudem, mas a ideia é errada.

Na origem do surto de inflação, a especulação com a energia

O aumento dos preços sentido desde o início de 2021 não resulta de maior procura por aumento do rendimento disponível dos trabalhadores (este aumento foi quase nulo na Europa). A origem da inflação está na especulação, que fez disparar os preços na produção e comercialização de combustíveis, bem como nos mercados de carbono.

Inflação nas empresas: a lei dos mais fortes

O aumento da inflação produz efeitos diferentes. Para os grandes grupos que dominam setores como a energia e a distribuição de bens essenciais, ela é uma oportunidade para aumentar lucros. Em 2021, a remuneração dos gestores das maiores empresas cotadas aumentou 47%, em média.

Bancos centrais e taxa de juro: o caso da inflação financeira

A crise financeira de 2008 revelou como o critério da inflação pode ser enganador para aferir o sobreaquecimento da economia. O período que antecedeu a crise, com baixa inflação e baixos juros, foi também marcado pela acumulação de dívida financeira assente em ativos altamente inflacionados.