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Lixados e mal pagos

Quem vive do seu salário acalenta a legítima expetativa de ver valorizado o rendimento disponível da sua família, desejo quase irrealizável se considerarmos que o governo do Estado decidiu aumentar em 0,9% os salários dos seus servidores.

No ocaso de mais um ano atípico, renovam-se desejos de uma vida melhor no ano que há-de chegar, com o fogo de artifício. Desde logo, quem vive do seu salário, acalenta a legítima expetativa de ver valorizado o rendimento disponível da sua família, desejo quase irrealizável se considerarmos que o governo do Estado decidiu aumentar em 0,9% os salários dos seus servidores. É pouco mais de 5 euros líquidos mensais que a esmagadora maioria dos funcionários públicos vão levar para casa. Uma vergonha e uma afronta àqueles que, todos os dias, dão o melhor de si em prol dos nossos serviços públicos, que têm qualidade. Ainda há quem diga que o que é bom é ser funcionário público que “pouco faz e muito ganha”. Os que propalam essas inverdades ou são ignorantes ou fazem-no de má-fé. A esmagadora maioria dos trabalhadores da administração pública, eu diria mais de 80%, leva para casa menos de 800 euros por mês. Aumentar o salário em 5 euros líquidos a estas pessoas é uma afronta. Vergonha é também o que se passa em algumas IPSS, que recebem dinheiros públicos, e pagam aos seus trabalhadores verdadeiras misérias: o caso paradigmático de muitos técnicos superiores dessas entidades, que levam para casa pouco mais de 800 euros mensais, quando o/a colega que trabalha a seu lado, por ter vínculo público, leva 1000 euros (o que, convenhamos, é uma miséria para quem tanto investiu na sua formação). Talvez fosse altura de começarem a praticar a solidariedade social, de que se dizem paladinos, dentro de portas e que a mesma deixe de ser ‘palavra vã’. O problema é que eu já não acredito no Pai Natal… Boas Festas e que, ao contrário do que prevê este homem de pouca fé, seja possível o milagre do Natal!

Artigo publicado no DN Madeira a 9 de dezembro de 2022

Sobre o/a autor(a)

Técnico Superior de Educação Social. Ativista do Bloco de Esquerda.
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