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Mutualismo, Agora Sim

Entre 13 e 17 de dezembro, 600 mil associados vão poder escolher quem estará à frente dos órgãos sociais da Montepio Geral - Associação Mutualista (MGAM), que detém um dos cinco maiores bancos privados de Portugal e o único propriedade de uma entidade com sede no país.

A maior associação do país vai a votos e isso não é coisa pouca. Entre 13 e 17 de dezembro, 600 mil associados vão poder escolher quem estará à frente dos órgãos sociais da Montepio Geral - Associação Mutualista (MGAM), que detém um dos cinco maiores bancos privados de Portugal e o único propriedade de uma entidade com sede no país.

Nascido em 1840 de uma ideia de auxílio mútuo, a associação propôs criar um sistema de previdência para os associados e para as suas famílias, combatendo a usura pela mutualização do acesso ao crédito, numa prática pioneira de solidariedade social.

Passados 180 anos, o Montepio está longe de cumprir a missão proposta na fundação, sendo há demasiado tempo gerido por direções deslumbradas que conduzem a associação como se de vulgar banca especulativa se tratasse, e que agem de forma pouco transparente, fazendo opções imprudentes que colocam em causa o património comum e as poupanças dos seus associados.

Além da grave situação financeira em que se encontra e da opacidade do seu funcionamento interno, a MGAM oferece serviços que não estão ao alcance da larguíssima maioria dos seus associados, não se distinguindo daquilo que é proporcionado pelo mercado. Como associada, não encontro na MGAM os valores de solidariedade e responsabilidade social que devem nortear a associação na sua prática e em todas as suas esferas de ação, e sinto a urgência de mudança.

Concorrem a estas eleições 4 listas. A lista C, encabeçada por Eugénio Rosa para o Conselho Geral, Ana Drago para a Assembleia de Representantes, Manuel Carvalho da Silva para a Mesa da Assembleia Geral, e António Zózimo para o Conselho Fiscal, é constituída por pessoas de origens e sensibilidades diferentes que se reúnem em torno de um projeto responsável de gestão da MGAM e resgate da prática mutualista, sob o lema Mutualismo, Agora Sim!

A lista C propõe contas limpas e práticas transparentes, a produção de respostas habitacionais de carácter não especulativo, a proteção das poupanças dos seus associados, a subordinação das empresas à missão da Associação Mutualista definida nos seus estatutos, a democratização do regimento da Assembleia Geral de associados e criar condições para a consolidação de uma instituição de referência de Banca Ética, tão necessária na sociedade portuguesa. O seu programa é mais extenso, mas a realização destas propostas já seria a mudança para garantir o futuro do Montepio.

Estas eleições têm de servir para colocar à frente da mutualista uma equipa responsável que estabeleça laços mais fortes com os associados e incentive a sua participação nos destinos da associação, que recupere o trajeto do mutualismo para a MGAM e restaure a confiança no Montepio, fazendo dele uma referência social e do mutualismo.

Porque acredito que a associação deve ser cuidada como um bem comum a todos os seus associados; porque o Montepio tem de ser a prática de banca solidária que a sua fundação prometeu, eu apoio a lista C e apelo a que todos os que partilham estes valores se mobilizem em torno desta lista. www.mutualismoagorasim.pt

Sobre o/a autor(a)

Escritora e Mediadora Cultural
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