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A desordem da candidatura que vai pôr ordem na Figueira da Foz

No passado dia 18 de junho, Santana Lopes avisou os figueirenses que voltava 20 anos depois para "pôr ordem" no concelho. O tom do aviso deixava a sensação de que a Figueira era uma cidade de espíritos medianos a precisar urgentemente de um guia para nos emergir das trevas e do caos.

No entanto, já a 4 de maio, o Diário de Notícias publicou um artigo intitulado "Santana à frente na Figueira tem em marcha a candidatura e está a deixar PSD nervoso", cujo fundamento era uma sondagem falsa referida numa publicação na página do movimento de Santana Lopes, Figueira a Primeira. A investigação realizada pelo Polígrafo da SIC alguns dias depois provou que a candidatura de Santana Lopes divulgou uma sondagem não registada que foi de seguida apagada para evitar problemas legais. Esta era apenas a primeira marca da desordem que reinava na candidatura de Santana Lopes à Figueira da Foz em 2021.

No entanto, apesar da falta de qualidade e da falta de orientação, muito patente nas redes sociais, da campanha de Santana Lopes, provavelmente ninguém esperava o caos que grassa quer nas listas aos vários órgãos autárquicos entregues em tribunal quer no processo de recolha de proponentes exigido por lei para validar cada uma das listas do movimento. Um exemplo muito ilustrativo é o da lista à Assembleia Municipal apresentada pelo movimento de Santana Lopes. O movimento apresentou inicialmente uma lista de apenas 18 efetivos a um órgão que requer 27 elementos efetivos mais 9 suplentes. Os erros são correntes em listas que contêm dezenas ou centenas de nomes a órgãos autárquicos, todos os partidos passaram por isso. Mas a candidatura de Santana Lopes acumula erros confrangedores, uns atrás dos outros, órgão após órgão, muito mais graves do que os erros dos partidos e dos movimentos com menos meios. Por exemplo, a designação das candidaturas ora são apelidadas de Pedro Santana Lopes Figueira a Primeira ou apenas de Figueira a Primeira. Mais grave, tudo indica que o número mínimo de proponentes para as candidaturas do concelho não foi cumprido e que parte das assinaturas para validar a candidatura a uma determinada freguesia foram recolhidas junto de eleitores de outras freguesias.

Para quem vinha pôr ordem na Figueira é obra. Mas para quem acompanhou as últimas duas décadas da política figueirense nada disto é assim tão estranho, conhecemos muito bem o impasse causado pela imensa dívida contraída pelo executivo de Santana Lopes e todo o investimento que ficou por realizar. Foi mau demais. Ordem desta, não obrigado.

Sobre o/a autor(a)

Investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra
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