You are here

Despedimentos na Altice

Esta quarta-feira, dia 21 de julho, os trabalhadores da Altice estão em greve contra o despedimento coletivo. A luta é pela sua dignidade e pelos seus direitos, e, no atual momento, é também pela defesa dos direitos laborais e pelo combate à precariedade. É ainda uma batalha por uma empresa estratégica para o país.
Dossier 333: Despedimentos na Altice
Dossier 333: Despedimentos na Altice

Neste dossier, publicamos uma entrevista com Rui Moreira da CT da MEO, que afirma que a “Decisão do despedimento colectivo é inqualificável” e denuncia que no dia em que trabalhadores recebiam carta de despedimento noticiava-se “que a Altice estava a integrar 1100 pessoas para uma outra empresa do grupo”, só que trabalhadores precários, com contrato a prazo. Rui Moreira alerta que “um Governo responsável não pode permitir-se” a um despedimento de milhares de trabalhadores.

O deputado bloquista José Soeiro afirma que “é preciso parar mais esta manobra”, alertando que “o Governo não pode fingir que não vê o que se passa, que o despedimento não pode ser autorizado e tem de ser travado. “Este anúncio foi um insulto ao país, uma declaração de guerra aos trabalhadores e uma ofensa à lei” é como qualifica o deputado bloquista, contando testemunhos de da brutalidade das ameaças, das humilhações e da tortura psicológica.

Em “O que a Altice vai liderando”, Carvalho da Silva salienta que a operadora anunciou que no ano I da pandemia passou a liderar o serviço de televisão por subscrição e as suas receitas cresceram para 2.121,2 milhões de euros. O antigo secretário-geral da CGTP sublinha que a Altice anunciou o primeiro despedimento coletivo na história da "PT" e aponta: “Há que travar estas práticas atentatórias do interesse nacional e das leis, impostas sem ética ou réstia de responsabilidade social”.

“Subcontratar para precarizar, não foi a Altice que inventou” destaca que o caso Altice “revela uma estratégia que tem sido sistematicamente seguida nas últimas décadas, em particular nas grandes empresas: substituição de trabalho com direitos por trabalho precário e com baixos salários, com recurso ao falso outsourcing”. O artigo dá o exemplo do que se passa atualmente na banca e o “gueto laboral” que o Estado está a promover em setores como vigilância e limpezas industriais. E, sublinha que esta estratégia é uma fraude à lei, uma vez que não há verdadeira extinção de postos trabalho.

“Lucros a crescer com saídas em massa” e “Do ‘método Altice’ ao despedimento coletivo” abordam os métodos, objetivos e práticas da multinacional. A gestão da empresa tem sido marcada, desde o início, pela vontade de esvaziar a antiga PT tanto de trabalhadores como de património, “usando-a para financiar os lucros do grupo internacional”, os casos citados que exemplificam esta prática são diversos e significativos. O esvaziamento de trabalhadores visa sempre promover a redução de trabalhadores, o outsourcing e a precarização. O líder do grupo internacional, Patrick Drahi, é a terceira pessoa mais rica de França e “não gosta de pagar salários à grande massa de trabalhadores, mas paga principescamente aos seus homens de grande confiança.”

“Da privatização à destruição por Zeinal e Salgado”, relembra a história da destruição da PT, a maior empresa portuguesa. Os 29 governantes que passaram pela PT/Altice recorda as ligações entre a administração da PT e ex-governantes destacando que se trata de “um dos mais expressivos casos de portas-giratórias entre o poder político e o poder económico”.

(...)

Neste dossier:

Dossier 333: Despedimentos na Altice

Despedimentos na Altice

Na quarta-feira 21 de julho, os trabalhadores da Altice estiveram em greve contra o despedimento coletivo. A luta é pela sua dignidade e pelos seus direitos, e, no atual momento, é também a defesa dos direitos laborais e o combate à precariedade. É ainda uma batalha por uma empresa estratégica para o país.

Zeinal Bava

Da privatização à destruição por Zeinal e Salgado

A partir de 2000, ano em que Zeinal Bava é nomeado CEO, até ao colapso da 2014, são distribuídos mais de 11,5 mil milhões de euros pelos acionistas, desvalorizando a empresa em quase 87%, uma descapitalização que culminou em 2013 no investimento de 900 milhões de euros na Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo, pouco tempo antes da queda de Ricardo Salgado, criando um buraco financeiro que viria a ditar o fim da PT. 

“Decisão do despedimento colectivo é inqualificável”

Em entrevista ao esquerda.net, Rui Moreira, membro da CT da MEO/Altice, diz que “da saúde financeira à existência de muito trabalho” nada justifica esta decisão. No dia em que trabalhadores recebiam carta de despedimento noticiava-se “que a Altice estava a integrar 1100 pessoas para uma outra empresa do grupo”, só que precários.

Altice, empresa que dá lucros não pode despedir - Faixa do Bloco de Esquerda

Altice: é preciso parar mais esta manobra

O Governo não pode fingir que não vê o que se passa. Este despedimento não pode ser autorizado e tem de ser travado. É essa a exigência de um país que se respeite e que respeita quem trabalha. Por José Soeiro

"Há que travar estas práticas atentatórias do interesse nacional e das leis, impostas sem ética ou réstia de responsabilidade social" . Foto CGTP

O que a Altice vai liderando

A Altice é protagonista de várias lideranças. No passado mês de março, anunciou a liderança no serviço de televisão por subscrição. No final do mês passado anunciou o primeiro despedimento coletivo na história da "PT". Artigo de Manuel Carvalho da Silva, publicado no “Jornal de Notícias”.

Altice - Foto CGTP

Subcontratar para precarizar, não foi a Altice que inventou

O processo em curso na Altice revela uma estratégia que tem sido sistematicamente seguida nas últimas décadas, em particular nas grandes empresas: substituição de trabalho com direitos por trabalho precário e com baixos salários, com recurso ao falso outsourcing.

Alexandre Fonseca, presidente da Altice

Altice Portugal: Lucros a crescer com saídas em massa

A gestão da Altice em Portugal foi marcada desde o início pela vontade de esvaziar a antiga PT de trabalhadores e património, usando-a para financiar os lucros do grupo internacional. 

Patrick Drahi, o líder da Altice. Foto de Ecole polytechnique/Flickr.

Do “método Altice” ao despedimento coletivo

A multinacional entrou no país dizendo que não ia fazer nenhum despedimento coletivo, que iria resolver os problemas da PT Telecom cortando em contratos com fornecedores e apertando o cinto aos trabalhadores. Agora, depois de desmembrar mais a empresa, vai despedir 246 e culpa tudo e todos menos a si própria.

Altice/PT - Foto da CGTP

Os 29 governantes que passaram pela PT/Altice

A intensidade e perenidade das ligações estabelecidas entre a administração da PT e ex-governantes revelam, para além de um padrão na escolha dos corpos dirigentes, um dos mais expressivos casos de portas-giratórias entre o poder político e o poder económico.