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Mulheres na Comuna: “eram mais monstruosas porque sendo mulheres transgrediam tudo”

Estiveram no despoletar do movimento e até ao final nas últimas barricadas mas têm sido invisibilizadas. Os seus nomes esquecidos e os seus contributos menorizados. E no seio do movimento operário da época enfrentavam hostilidade de muitos grupos. Entrevista à historiadora Mathilde Larrère.
Mulheres na barricada da Place Blanche na Semana Sangrenta. Litografia do Museu de Carnavalet/Imagem Wikimedia Commons.
Mulheres na barricada da Place Blanche na Semana Sangrenta. Litografia do Museu de Carnavalet/Imagem Wikimedia Commons.

L’Anticapitaliste: O que pode ser dito sobre o papel das mulheres nos acontecimentos do 18 de março que marcam o início da Comuna? Pode-se estabelecer um paralelo com outros acontecimentos revolucionários em que as mulheres tomam a dianteira como a marcha sobre Versailles de 5 e 6 de outubro de 1789 e a manifestação da jornada internacional pelos direitos das mulheres que inaugura a revolução russa?

Mathilde Larrère: Houve uma grande número de mulheres no dia 18 de março para impedir os soldados de se apoderarem dos canhões da colina de Montmartre, o que se explica simplesmente porque era muito cedo na manhã e as mulheres levantavam-se em primeiro lugar para procurar água, combustível etc. Mas também houve homens – até porque as mulheres lançaram o alerta –, nomeadamente os federados que eram todos eles homens uma vez que a Guarda Nacional não aceitava mulheres. Por isso no momento em que os soldados e a população confraternizaram no Champ des Polonais, foi algo bastante misto.

Nos dias 5 e 6 de outubro de 1789, as mulheres são o motor (foi uma companhia de mulheres as Dames de la Halle, que lança o movimento) antes da Guarda Nacional se lhes juntar; no oito de março de 1917 era a jornada internacional pelos direitos das mulheres. Mas, em todos estes diferentes casos, tudo se passa como se fosse lembrado o papel das mulheres nestas jornadas como contrapartida da sua invisibilização o resto do tempo, ao passo que elas também estiveram presentes no 10 de agosto de 1792, noutros acontecimentos da Comuna, da Revolução Russa etc.

A sua presença é visibilizada quando está ligada ao seu papel social e doméstico, nomeadamente encarregar-se da alimentação: o 5 de outubro de 1789 é uma revolta alimentar, é pão que elas vão buscar a Versailles, mesmo se em último caso é o rei que elas acabam por capturar; o 8 de março de 1917 para uma grande parte das mulheres de São Petersburgo, as dos bairros operários, é menos uma manifestação pelos direitos das mulheres do que uma manifestação pelo pão e pela paz. Há que não restringir a sua participação nos acontecimentos revolucionários a estas jornadas, ainda que tenham sido inaugurais.

 

No seguimento do movimento, elas não puderam participar nas instituições oficiais da Comuna? Reinvindicaram-no?

O direito de voto das mulheres para eleger a Comuna a 26 de março não foi tido em conta e elas, de facto, fizeram muito pouco para o reivindicar. O direito de voto não era uma reivindicação primeira das mulheres da época: elas tinham muitas outras e isto era ainda mais verdade para as mulheres da Comuna que na sua maioria são socialistas ou “Montagnardes” (democratas-sociais) mas já falaremos das suas reivindicações. Aconteceu a mesma coisa durante a Revolução Francesa: fala-se muito de Olympe de Gouges e da sua Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadão que é uma forma de reivindicar o direito de voto (sem nunca o dizer explicitamente) mas os trabalhos de Dominique Godineau sobre as mulheres revolucionárias mostram que elas exigiam mais poder entrar na Guarda Nacional do que ter o direito de voto.

 

A participação das mulheres nos combates é algo específico da Comuna?

Não, as mulheres sempre participaram no combate mas é necessário precisar de que se tratava. Combater de armas na mão estava mais limitado para as mulheres nas revoltas antes da Comuna,

quanto mais não fosse porque as mulheres não sabiam necessariamente como usar armas e porque havia um peso de mentalidade que tornava impossível encarar que as mulheres pudessem dar a morte mesmo quando davam a vida.

Por isso, eram mantidas à distância dos fuzis. Por outro lado, participavam nos combates das barricadas (em particular em 1830 e 1848). A barricada serve para obstruir uma rua e os soldados precipitam-se para lá e ficam bloqueados.

Os combates fazem-se então em duas dimensões: de um lado, há um cara a cara entre os soldados e a barricada (na qual há homens armados), de outro lado a população arremessa objetos diversos das janelas – e aí há muitas mulheres. Esta segunda dimensão é muito importante (durante os motins da monarquia de Julho houve mais frequentemente fraturas cranianas do que feridas por bala) mas é muitas vezes esquecida.

As mulheres recarregavam ainda os fuzis, tratavam dos feridos, abasteciam as barricadas etc. A especificidade da Comuna é que as mulheres participaram mais nos combates de armas na mão, nomeadamente nas barricadas abandonadas pelos combatentes masculinos.

 

Uma das organizações importantes de mulheres durante a Comuna está até ligada aos combates a União para a Defesa de Paris e para os Cuidados aos Feridos? Pode explicar em poucas palavras de que se trata? Em que outros tipos de quadros as mulheres podiam organizar-se?

Sim, é uma organização criada por Élisabeth Dmitrief que é a enviada da Associação Internacional dos Trabalhadores [nome oficial da Primeira Internacional] de Londres em Paris. Originalmente deviam ter partido dois homens mas um deles não conseguiu ir porque estava doente e foi substituído de improviso.

Esta organização é interessante pelos seus dois aspetos: a defesa de Paris, o que corresponde à reivindicação transgressiva das mulheres de poder ter porte de arma; e os cuidados aos feridos que derivam pelo contrário do papel clássico das mulheres na repartição de género das tarefas. É uma organização muito estruturada e muito centralizada, com três níveis: comités locais por bairro, nos quais são eleitas representantes que constituem um comité e, por fim, uma comissão executiva com Élisabeth Dmitrieff à cabeça.

Mas existiam outras organizações, nomeadamente clubes, como o clube de Montmartre, no qual participava André Léo. Existiam inclusive certas tensões entre estas organizações: por exemplo, quando André aderiu igualmente à União para a Defesa de Paris e para os Cuidados aos Feridos, esta dupla pertença irritou fortemente Élisabeth Dmitrieff.

Estes diferentes quadros eram “não-mistos” (ainda que o termo seja anacrónico), dirigidos e organizados por mulheres, tal como aliás eram os clubes de mulheres na altura da Revolução Francesa ou em 1848 (tal como os jornais em 1848), ainda que homens pudessem em certas circunstâncias ajudar. As mulheres compreenderam que era assim que se deviam organizar para poder agir e serem “escutadas”.

 

De que outras participantes mulheres famosas se pode falar?

Para além de Louise Michel, todas as outras são amplamente esquecidas... E se Michel é lembrada, e em menor grau Brocher, é graças aos seus escritos.

Contudo, muitas outras figuras mereceriam ser conhecidas. Por exemplo, André Léo, autora de um grande texto, A Guerra Social, no qual denuncia o facto de se querer, desde há um século, “fazer a revolução sem as mulheres”; Dmitrieff, que desapareceu e da qual se sabe muito pouco depois da Comuna; Paule Minck; ou ainda Nathalie Lemel, um pouco mais conhecida, próxima de Eugène Varlin, e que antes da Comuna tinha criado uma importante cantina cooperativa operária e popular, La Marmite. Mas sobre a maior parte das mulheres da Comuna temos poucos documentos, para além dos seus nomes em cartazes ou traços do seu processo em Versailles. Dito isto, mesmo que sejam um pouco mais do que as mulheres, os membros masculinos da Comuna são igualmente muito pouco conhecidos com exceção de Vallès, Courbet, Pottier, etc.

 

Para além da entrada na Guarda Nacional e mais genericamente o direito ao porte de armas, que reivindicações importantes tinham as mulheres durante a Comuna?

Elas reivindicavam o que já as mulheres de 1848 reivindicavam, das quais são muito próximas socialmente e por formação política: o direito ao trabalho, a serem pagas com os mesmos salários e a terem o mesmo reconhecimento de qualificações do que os homens.

Exigem ainda o direito à instrução, ao divórcio, ao reconhecimento das crianças “ilegítimas” ou “naturais”, o reconhecimento das concubinas (que passem a ter os mesmos direitos das mulheres casadas) e, algumas delas, nomeadamente Louise Michel, reclamavam a abolição da prostituição.

 

Quais dessas reivindicações foram satisfeitas?

No quadro da União das Mulheres para a Defesa de Paris e para os Cuidados dos Feridos há uma grande reflexão sobre o trabalho das mulheres e Élisabeth Dmitrieff consegue arrancar promessas de igualdade salarial e até um decreto, para uma profissão particular, garantindo igualdade salarial; ela estabelece até cooperativas de produtoras. Para a instrução, numerosas escolas para rapazes e raparigas são abertas. As concubinas são reconhecidas, uma vez que a Comuna decreta que as esposas ou concubinas de Guardas Nacionais feridos ou mortos em combate poderão receber uma pensão; e há também um reconhecimento dos filhos naturais.

Ao invés, as mulheres não serão aceites na Guarda Nacional Federada: as mesmas que tomarão armas na Semana Sangrenta.

 

Qual era o lugar das mulheres no seio do movimento operário da época?

Era muito difícil. Não apenas o movimento operário era dominado por homens mas um certo número de correntes era desfavorável ao trabalho das mulheres que julgavam de concorrência desleal porque era menos pagas.

E começavam a vê-las – ainda que vá acontecer mais no futuro – como fura-greves, o que não é confirmado pelas fontes uma vez que a divisão do trabalho era tão fortemente marcada pelo género que uma mulher não poderia desempenhar o trabalho de um homem.

Consideravam ainda que o trabalho em fábrica era contrário à moralidade e muitos no movimento operário e na Internacional defendiam que as mulheres, sobretudo as casadas, ficassem em casa, ainda que isso significasse trabalharem no domicilio, ou seja em condições ainda piores do que nas fábricas. No movimento operário francês, junta-se a isto o peso do proudhonismo e da profunda misoginia de Proudhon.

Esse não era o caso, claro, de todos os militantes. Por exemplo, Eugène Varlin era muito favorável à igualdade entre homens e mulheres e em particular à igualdade salarial e quando funda La Marmite com Nathalie Lemel ela tem o mesmo papel na organização que ele. Mas eram minoritários: há vários congressos ou conferências da Internacional antes da Comuna – nomeadamente na altura das exposições universais – que terminam com textos profundamente misóginos e opostos ao trabalho das mulheres.

É contra isto, aliás, que Dmitrieff, André Léo e Paule Minck se batiam na Comuna: faziam conferências, muito concorridas, em que defendiam o direito ao trabalho e à igualdade salarial. O slogan “trabalho igual, salário igual” é um slogan da Comuna de Paris.

 

Pode-se falar de um movimento feminista na França da época?

É difícil porque o Segundo Império tinha esmagado amplamente os movimentos feministas que se tinham constituído em 1848. Estes iam renascendo lentamente, à volta destas figuras como André Léo ou Paule Minck, mas também Maria Deraismes, à frente do jornal O Direito das Mulheres fundado em 1869 e que desempenha um papel importante na Associação para o Direito das Mulheres criada em 1870.

Mas é sobretudo no seio do movimento operário que há um feminismo socialista ou um socialismo feminista que se organiza. Só depois disso um movimento feminista se desenvolve no exterior do movimento operário, à volta das suffragettes, com Hubertine Auclert e Marguerite Durand.

 

No final da Comuna, as mulheres sofreram uma repressão específica pela parte dos Versalheses?

Sim, mas é ambivalente. Por um lado, mais mulheres do que homens beneficiaram do não-lugar, o que quer dizer que a justiça foi durante muito tempo mais clemente com as mulheres. Mas, por outro lado, se olharmos para as pessoas condenadas, constatamos que as mulheres foram condenadas a penas mais duras: 13% das mulheres foram condenadas à morte, contra 0,9% de homens; 13% foram condenadas a trabalhos forçados e 13% à deportação, enquanto que os números foram de 2,3 e 11% para os homens.

Porque elas transgrediam tudo! Eram mais monstruosas aos olhos dos versalheses porque eram mulheres: transgrediam a ordem dos sexos saindo do lugar que lhes era reservado na époco (a cozinha e o berço) e entrando na política – e, claro, entrando aí pela via revolucionária. É por aí que se pode compreender a figura da “petroleira” através da qual as mulheres da Comuna foram estigmatizadas.

Desde os primeiros incêndios da Comuna que este estereótipo está presente: encontra-se na imprensa de Versailles, na iconografia e nos processos, nos quais se tenta provar que foram elas que começaram os fogos (os Versalheses esquecem-se que foram eles que lançaram as primeiras bombas incendiárias!).

 

A derrota da Comuna teve consequências negativas na situação das mulheres e nas suas reivindicações nos anos seguintes?

Não especificamente. Houve a restauração da “ordem moral” pelos Versalheses mas dizia respeito a toda a gente não apenas às mulheres. E quando se instala a IIIª República esta descarta o direito de voto das mulheres mas porque se pensava que mulheres eram demasiado clericais, sem que isso tivesse uma ligação direta com a Comuna. Não houve assim um backlash como depois da Revolução Francesa com a promulgação do Código Civil de 1804. Claro que se suprimiram sucessivamente os avanços obtidos mas o mesmo aconteceu com todo o resto da obra da Comuna que foi apagada.

 

Mathilde Larrère é historiadora, especialista dos movimentos revolucionários no século XIX, autora de numerosos livros e membro da associação Comité de vigilance face aux usages publics de l'histoire.

Entrevista de Yohann Emmanuel publicada pela revista L’Anticapitaliste n°122 em janeiro de 2020.

Tradução de Carlos Carujo para o Esquerda.net.

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