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Não se deve esquecer os amigos

As notícias angolanas são preocupantes. O que é difícil de aceitar é que os que, idos de Lisboa, peregrinaram pelos congressos do MPLA e teceram loas à família Dos Santos e ao seu séquito se calem agora perante estas inconveniências.

As notícias angolanas são preocupantes. O trio constituído pelos generais Dino, assessor de comunicação do Presidente José Eduardo dos Santos, e Kopelipa, chefe da sua casa militar, e Manuel Vicente, que foi seu vice-presidente, acedeu a devolver ativos no valor de mil milhões de dólares ao Estado, que se considerava roubado. Esses bens incluem os 40% que detinham no grupo agroindustrial Biocom, em sociedade com a Sonangol e a Odebrecht, a Kero, a maior rede nacional de supermercados, duas barragens, Mabubas e Média Nova, a maior gráfica nacional, a Dumer, e outras empresas, nomeadamente as que eram controladas pelo China International Fund, como uma fábrica de cervejas, uma cimenteira, uma central térmica e uma linha de montagem de autocarros. Um mundo.

Estes altos responsáveis do regime de José Eduardo dos Santos foram atingidos pela revelação dos escândalos nas contas do Banco Industrial e Comercial da China, que tinha concedido créditos a Angola no valor de 1,5 mil milhões de dólares. A prisão de Sam Pa, um dos principais manobradores desta rede, ditou o seu fim. E Angola começou a recuperar o que tinha perdido.

O que é difícil de aceitar é que os que, idos de Lisboa, peregrinaram pelos congressos do MPLA e teceram loas à família Dos Santos e ao seu séquito se calem agora perante estas inconveniências.

Artigo publicado no jornal “Expresso” de 11 de dezembro de 2020

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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