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Confinar o vírus e não as pessoas!

Na diabetes, a situação foi especialmente agravada com o aparecimento da covid-19 e, neste Dia Mundial da Diabetes optámos por reforçar a mensagem de que é urgente e importante continuar a apoiar e a proteger as pessoas com diabetes, tal como todas as pessoas mais frágeis.

Este ano, já sabemos, é um ano atípico. Um ano de muitas incertezas não só para a saúde pública, mas para todos os sectores da sociedade.

Na diabetes em particular, a situação foi especialmente agravada com o aparecimento da covid-19 e, neste Dia Mundial da Diabetes (14 de novembro), lamentavelmente, não podemos ignorar que a pandemia existe e optámos por reforçar a mensagem de que é urgente e importante tudo fazermos ao nosso alcance para continuar a apoiar e a proteger as pessoas com diabetes, tal como todas as pessoas mais frágeis.

Segundo dados avançados pelo Observatório Nacional da Diabetes, registados nos meses de março e abril de 2020, a taxa de internamentos de pessoas diagnosticadas com covid-19 era de 14,5%, uma percentagem que sobe para 43,3% nas pessoas com diabetes. Adicionalmente, o mesmo Observatório avança que, do total de pessoas que testaram positivo para covid-19, 1.145 tinham diabetes (5,3% do total). Um número que se traduz em 83 óbitos, no total de 502 óbitos que se registaram em Portugal durante o período em análise. Além disso, 20,3% das pessoas com diabetes (por comparação ao valor de 8,8% das pessoas infetadas) necessitaram de internamento em unidades de cuidados intensivos.

Estes dados vêm confirmar, mais uma vez, o risco acrescido da covid-19 para as pessoas com diabetes e evidenciam a importância de se estabelecer, rapidamente, uma estratégia eficaz e organizada que permita melhorar a resposta ao escalar da situação. Encontramo-nos numa nova fase da pandemia, de dispersão da contaminação que já não se só faz por contactos conhecidos, mas está instalada nas comunidades. A única forma de a combater será testar massivamente as pessoas que estão em risco de contágio e que não estão confinadas. E isolar as que estão positiva. Quem não quiser fazer o teste deve cumprir uma quarentena de 10 dias.

Defendo uma abordagem que comece com as pessoas que estão mais expostas, porque não podem prescindir dos transportes públicos ou porque trabalham em ambientes de potencial contágio, avançando gradualmente para a família e toda a comunidade envolvente.

Só uma testagem populacional devolverá a confiança às pessoas e as motivará para se continuarem a proteger. A responsabilização não é o caminho, temos de saber apoiar e incentivar em vez de criticar e acusar. A experiência acumulada da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), de educação e de defesa do autocuidado é um bom caminho, porque parte do apoio às pessoas e do reconhecimento do seu papel central nos cuidados que dizem respeito à sua própria saúde e à dos seus.

É preciso, rapidamente, confinar o vírus e não as pessoas!

Sobre o/a autor(a)

Médico, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), dirigente do Bloco de Esquerda
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