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Say No to Racism, os media e Ventura

Ricardo Quaresma foi a voz contra Ventura, foi ele, cigano e desportista internacional, que hasteou a bandeira Say No to Racism que deveria estar já à janela da Federação Portuguesa de Futebol com megafone ao alto.

O deputado André Ventura, que se fez político na Correio da Manhã TV como comentador de futebol, reclama que um futebolista não se deve meter em política.

O que a Assembleia da República deve discutir num momento tão crítico como o que estamos a viver, com uma crise económica, talvez até financeira, a ganhar corpo na sociedade portuguesa devido ao covid-19, a qual afectará primeiramente, como sempre, grupos sociais mais desfavorecidos, é que àqueles que estão em situações mais precárias não seja vetado o seu direito à saúde e em condições condignas que cheguem a todas as populações, especialmente às mais frágeis.

aos media temos que exigir mais, sobretudo que não caiam na tentação de retroalimentar este jogo ideológico que só tem produzido, como bem escreveu Ricardo Quaresma nas suas redes sociais, desumanidade

Criar um plano de confinamento para a comunidade cigana não representa apenas uma violação do artigo décimo terceiro da Constituição da República Portuguesa, revela o modo como o Chega de Ventura tem pautado o seu curto (e acredito efémero) percurso político: recorrendo à polémica, ao populismo, que o futebolista “que não se deve meter em política” tão bem descreveu na sua página de Facebook.

Não que Ventura não saiba que confinar de maneira especial uma comunidade em função da sua etnia, da religião praticada, da ideologia, é patético, é baixo, é dejectório, não que não saiba que não há mais carga viral numa ou outra comunidade em função da sua cultura ou da sua origem, dificilmente não o saberá. O que Ventura tenta fazer a todo o custo é realimentar a sua imagem de comentador de terceira, as expectativas do seu eleitorado sem massa crítica, o racismo e a xenofobia. O que Ventura procura fazer congregando uma base de militância significativa que o Chega não tem nem nunca terá, mas que Ventura aproveita a cada vez que do armário, nos períodos mais conturbados e incertos, sai um ou outro anexim de natureza racista e xenófoba que o trouxe até onde está, como: “os ciganos são um povo que não se integra na nossa sociedade (ouvi hoje de um ouvinte no Fórum TSF)”, é a isto que Ventura procura responder como se pode verificar nos comentários racistas que intoxicam caixas de comentários nas redes sociais, não propriamente às necessidades do “povo português” por muita “vergonha” que denuncie de medidas tomadas pelo governo nos hemiciclos.

Ventura opta sempre por polemizar e trazer não assuntos ao debate parlamentar porque também sabe que os media lhe irão dar a atenção que precisa para se manter.

Num período em que os lay-off, a violência doméstica, a situação dos precários a recibos verdes, o papel do ensino, o modo como se realizarão exames de acesso ao ensino superior, são matéria de debate Ventura opta por trazer para a arena onde se gosta de pavonear a sua reles polémica, não é novidade e também nos habituámos (quem se orienta por princípios igualitários e democráticos) a que assim fosse, aos media temos que exigir mais, sobretudo que não caiam na tentação de retroalimentar este jogo ideológico que só tem produzido, como bem escreveu Ricardo Quaresma nas suas redes sociais, desumanidade.

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