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Os Vampiros

Fazer frente aos vampiros, continuar a luta pelos de baixo, e na defesa de um SNS universal, gratuito e de qualidade. É por aí que se faz o caminho!

A posição de grupos privados de saúde, remetendo para o Estado o pagamento de serviços prestados a utentes não encaminhados pelo SNS, não me surpreende. É a mesma lógica que preside à exigência de suporte estatal no que respeita à prestação de serviços privados na área da Educação.

Exigência de menos Estado quando se trata de maximizar lucros e solicitação de mais Estado para garantir as suas margens de lucro quando as coisas correm mal. “Ai Jesus”, o Estado tem que dar a mão! Por sua vez, o chamado terceiro setor não tem ficado atrás nessa postura. Alguns lares de idosos, nomeadamente na área das Misericórdias, que não estão propriamente depauperadas, não têm planos de contingência. E, aí, acuda-nos o SNS, que é para isso que serve!

Neste contexto, o Governo tem pautado a sua atuação pela tibieza e pactuação. Requisição de entidades privadas na área da saúde para fazer frente ao Covid-19, como propôs o Bloco, nem pensar. Não admira, pois, que os grandes interesses económicos levantem a “crista”!

Vêm-me à memória lembranças antigas. “Os Vampiros” de Zeca Afonso, bem como “Os Eunucos”, mantêm toda a atualidade: “vêm em bando com pés de veludo, chupar o sangue fresco da manada”, e os eunucos “devoram-se a si mesmos”.

E não se iludam os que esperam qualquer complacência de quem tem no seu ADN a manutenção do status quo do sistema capitalista: Este tipo de posições é parte integrante de uma posição ideológica. Nada de novo a esperar. Citando Paulo Freire, Quem espera na pura espera/ vive um tempo de espera vã.

Fazer frente aos vampiros, continuar a luta pelos de baixo, e na defesa de um SNS, universal, gratuito e de qualidade. É por aí que se faz o caminho!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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