Carlos Carujo

Carlos Carujo

Professor.

Barroso lá estava na fotografia da guerra. Não coube na versão mais difundida na imprensa internacional, mas ninguém lhe conseguiu tirar o estatuto de anfitrião da cimeira da guerra, de porteiro conspirador ajudando de fora a forçar razões para uma guerra que já tinha sido decidida. E o apoio à guerra do petróleo garantiu-lhe uma promoção. Assim funciona a lógica da batata do poder.

Todas as façanhas educativas do governo Sócrates estão marcadas pela busca do efeito eleitoral, pelo negócio que coloca o bem comum não se sabe como nas mãos de alguns ou pela ideologia dos cortes orçamentais. De preferência por todos estes factores ao mesmo tempo em alguma medida. Se bem que a contenção orçamental só valha para alguns casos selectivos. E só a qualidade da educação parece não caber nunca na equação governamental.

Choque. Mas a voz daquele senso comum, apesar de genuinamente chocada, não resistiu a rematar: "eles já não se sabiam governar... ainda mais agora. Coitadinhos." A voz assertiva daquele senso comum pouco domina dessas geografias e histórias exóticas. Mas não precisa de muito para sentenciar. Sabe-se imediatamente que eles, coitadinhos, não sabem nem nunca se souberam governar como "nós". E intui-se com toda a clareza que talvez fosse melhor que continuassem a ser mandados por "nós" mas não se chega a dizê-lo por se pressentir que pudesse causar incómodo em tempo de tragédia.

Era uma vez uma era feita de muros. Outro ano tinha passado ainda há pouco mas certamente a era não mudara. Era ainda a mesma era. Esse ano que tinha passado lembrara-nos do aniversário de outro muro agora desfeito, que simbolizava outra era. Mas a "nova ordem mundial" instalada a seguir, tão fluída e sem barreiras, afinal era simplesmente a história de outros muros. Assim, sente-se que a passagem de outro ano é indiferente sem que a nova era dos muros acabe.