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Deputado municipal do PS tirou as lições erradas da crise de 2008

Pedro Pires da Rosa, deputado municipal do PS em Aveiro, escreve no Público que perante a crise social provocada pela pandemia a solução é a austeridade e desde logo reduzir os salários no público. Um artigo que merece alguma resposta, para não começar a fazer caminho.

António Costa rotulou de repugnantes as declarações do ministro holandês porque Costa quer uma solução solidária europeia para o endividamento. Isto para evitar a agiotagem e para evitar que, no futuro, os mesmos venham cobrar austeridade em nome dessa dívida. De Costa veremos no futuro. Já Pires da Rosa não perde tempo a explicar que com a crise de 2008 devíamos ter aprendido que "quanto mais rápida e forte for a resposta para a crise, por mais excessiva ou desnecessária que possa parecer" mais rápido se sai dela. E clarifica o que quer dizer: "os cortes na função pública serão uma inevitabilidade no pós-crise" e devem ser aplicados já neste momento.

Esta é a narrativa das inevitabilidades do governo Passos Coelho. Quem não se lembra que era preciso empobrecer o país? E, claro, reduzir salários no público. Resultou? Não, ou melhor sim, mas só para os do capital...

Entretanto, tivemos 4 anos de um governo que - face a uma relação de forças diferente - aplicou o contrário. Perante uma crise, garantir que o dinheiro está na economia (isto é, nos salários e nas compras dos trabalhadores). Os saudosos do passismo discordam por certo, mas é inegável que foi essa política que nos permitiu sair da crise e atenuar as desigualdades sociais.

Lay off dos trabalhadores públicos?

Várias empresas recorreram ao lay off, agora simplicado pelo governo. Ou seja, os trabalhadores vão receber apenas dois terços do seu salário e a maior parte desse montante (70%) será pago pela Segurança Social. Empresas com lucros milionários ao longo dos últimos anos passam os custos da crise para o Estado, acham que não tem qualquer obrigação perante a sociedade. Este é um dos verdadeiros problemas da presente crise, para os trabalhadores e para as contas do Estado e, em particular da Segurança Social. Mas Pires da Rosa não se perturba com este abuso e rombo nas contas da SS e não lhe dedica uma linha.

Pelo contrário, Pires da Rosa acha que o lay off é de tal forma solução que deve ser alargado aos funcionários públicos. E ao dizê-lo faz uma amálgama como se fossem muitos os funcionários públicos em casa sem funções, quando são vários os que estão na linha da frente a lutar por todos nós, com baixos salários e sem subsídio de risco. Vários outros estão em teletrabalho precisamente para garantir a proteção necessária à sociedade. Num momento onde os funcionários públicos estão a dar o litro, Pires da Rosa fala de quem e de quantos?

Não esquecer que isto do cortar salários ali é dar o exemplo para depois cortar acolá. Enquanto se aponta para os rendimentos do trabalho, já de si baixos em Portugal, os rendimentos de capital, PPPs, offshores passam pelos pingos da chuva, sem pingo de vergonha.

De notar ainda que a solução de lay off tiraria mais verbas à Segurança Social, contribuindo para a sua descapitalização. E não, não é igual ir buscar dinheiro ao Orçamento do Estado ou à SS.

Alto e pára o baile!

O autor conclui o artigo referindo as suas credenciais de "homem de esquerda", seguramente daquela esquerda que não se incomoda com a descapitalização da segurança social, do abuso patronal, de multinacionais milionárias a passarem os custos para o Estado. Mas os salários dos funcionários públicos? Alto e pára o baile, está aqui Pires da Rosa para lutar pela sua redução.

Artigo publicado na página de Nelson Peralta no facebook.

O artigo do deputado municipal do PS em questão está disponível aqui.

Sobre o/a autor(a)

Biólogo. Dirigente e deputado do Bloco de Esquerda
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