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Reflexões pós-alta hospitalar

Santarém e as pessoas que aqui vivem não precisam de nenhum hospital privado. O que precisam é da melhoria, do alargamento dos serviços e das qualidades do público. Façamos todos e alguma coisa por isso!

Como é do conhecimento público, tive um acidente de bicicleta que resultou na necessidade de cirurgia de retirada de um rim, etc.

Este imprevisto fez-me colocar interrogações:

– O que aconteceria se o nosso Serviço Nacional de Saúde fosse todo privado como defende o “profeta antissistema”? Das duas uma: ou estaria morto ou em vésperas de vender a casa para pagar as despesas hospitalares!

– O que aconteceria sem a excelente dedicação de quem de mim cuidou, sem me conhecer a não ser o nome que lia num papel? Teria tido mais sofrimento e recuperação mais lenta!

– O que aconteceria se no Hospital de Santarém não tivesse sido criada a “hospitalização domiciliária”? Teria estado mais exposto a infeções hospitalares. Antes de ter-me sido dada fui bem informado de como se procederiam as visitas domiciliárias diárias, a medicação e outras informações úteis. Assim, também foi libertada a cama para uma pessoa mais necessitada.

– Tudo correu como eu desejaria? Não. Em primeiro lugar, para mim, foi patente a sobrecarga de acesso aos serviços de urgência, e até a permanente sobrecarga dos serviços e do pessoal. Essa sobrecarga depois traduz-se em macas em corredores, mais instabilidade e tensão em doentes, ou burnout, exaustão evidente no pessoal.

Assim, publicamente quero deixar o meu agradecimento a todas as pessoas que nos Hospitais de S. José e de Santarém me trataram. Obrigado!

Em coerência, também apresentarei reclamação construtiva no Livro de Reclamações Amarelo. Qualquer serviço só pode melhorar se sobre ele existir uma permanente visão crítica e uma participação cívica positiva.

Toda esta minha vivência reforçou, em mim, a necessidade de se continuar a exigir a melhoria do SNS – um serviço público e gratuito – porque a saúde é um Direito Constitucional conquistado com o 25 de abril.

A defesa da Constituição assume, também na saúde, um lugar necessário. Quem ataca a Constituição quer favorecer interesses obscuros no negócio da saúde!

Santarém e as pessoas que aqui vivem não precisam de nenhum hospital privado. O que precisam é da melhoria, do alargamento dos serviços e das qualidades do público. Façamos todos e alguma coisa por isso!

Artigo publicado em Mais Ribatejo a 2 de março de 2020

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Energia e Águas de Portugal, SIEAP.
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