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CGTP refém do sectarismo?

O XIV Congresso da CGTP vai realizar-se a 14 e 15 de fevereiro. Estamos perante o enorme desafio do reforço da influência da central, por um sindicalismo que não tema o alargamento da sua agenda de intervenção e pelo reforço do pluralismo.

Estamos na recta final do XIV Congresso da CGTP que se vai realizar no Seixal nos dias 14 e 15 de Fevereiro de 2020.

Infelizmente o debate que se pretendia vivo e participado, na elaboração do Programa de Acção para o mandado 2020-2024, tem algumas debilidades na sua discussão ao nível dos Sindicatos e Federações que teria de ser muito mais aprofundada e qualificada. Esta realidade é ainda mais grave, quando passamos para o nível do local de trabalho, onde muito pouco se debate em termos de conteúdos programáticos.

Este Congresso é realizado num período de grande exigência, pois o quadro político resultante das últimas eleições legislativas de Outubro de 2019, com um governo minoritário do PS que recusa mexer nas leis do trabalho, obriga a mais mobilização, participação e de uma agenda de intervenção clara para, entre outros, conseguir alcançar os seguintes objectivos:

O aumento real dos salários; a reconstrução da contratação colectiva, como fim da caducidade unilateral, a reposição do tratamento mais favorável ao trabalhador.

A luta contra a precariedade, o combate ao falso outsourcing e a uberização do emprego.

A luta contra a desregulação dos horários de trabalho e a generalização da laboração contínua e pelo reconhecimento do desgaste rápido dos trabalhadores por turnos.

Dar combate às desigualdades no trabalho, quer de género quer através da limitação dos leques salariais.

Reduzir o horário de trabalho para as 35 horas semanais no privado, sem redução de salário, conquistando-se mais tempo para viver e criando-se mais postos de trabalho.

Recuperar direitos perdidos, destroikando o Código do Trabalho.

Estamos perante outro enorme desafio, o reforço da capacidade de influência da CGTP e dos sindicatos de classe passa também por um sindicalismo que não teme o alargamento da sua agenda de intervenção e que contribui para o reforço e a renovação do sindicalismo.

Apoiar as mobilizações da Greve Feminista e Greve Climática Internacionais é combater o sistema capitalista assente na exploração das pessoas e recursos naturais e recusar todas as desigualdades e a destruição do planeta.

Este XIV Congresso da CGTP é também de uma enorme exigência ao nível interno, pois assistiremos a uma grande remodelação dos seus quadros no Conselho Nacional; Comissão Executiva e será eleito uma nova ou um novo Secretário Geral.

Como referiu Arménio Carlos, neste Congresso “vai sair a última geração que começou a trabalhar antes do 25 de Abril”.

A democracia interna, a renovação e a formação de novos quadros sindicais é de crucial importância para uma CGTP forte e com futuro.

É neste quadro que a componente da democracia interna na CGTP, não pode ficar refém dum qualquer sectarismo da maioria que controla os órgãos da Central e procura uma vez mais recusar a entrada da sensibilidade político/partidária dos sindicalistas do Bloco de Esquerda no principal órgão dirigente que é a Comissão Executiva.

Esta exclusão não tem nenhuma justificação estatutária, só pode ter um enorme cunho de fechamento sectário, que não aceitamos e combateremos de forma muito firme.

É numa CGTP aberta, plural e democrática, pronta a responder aos desafios concretos da sua organização interna e na relação com o exterior, que nós sindicalistas do Bloco de Esquerda, estaremos disponíveis para continuar a dar o nosso contributo, porque a luta pelos direitos de quem trabalha não dispensa ninguém.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente sindical, membro do Conselho Nacional da CGTP
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