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Mais transportes públicos e mais ambiente para melhorar a cidade

Uma cidade para ter futuro não pode desprezar a emergência climática em que vivemos. O sistema de transportes é determinante na qualidade de vida e ambiente de uma cidade. Lisboa tem de ser verde nas ações. Por Nuno Veludo e Ricardo Moreira.
autocarro da Carris
Foto de Paulete Matos.

Segundo um estudo da Câmara Municipal de Lisboa de 2018, cerca de 370 mil carros entram todos os dias em Lisboa. Isto é sintomático de uma cidade que precisa de mais e melhores transportes públicos. Significa também que não está a ser dada resposta à emergência climática. Apesar de Lisboa ser a capital verde europeia, são ainda inúmeros os problemas com que se depara para de facto ser verde. O Bloco em Lisboa já garantiu várias conquistas na área da mobilidade que vão no sentido certo de tornar Lisboa uma cidade com mais mobilidade e com um melhor ambiente.

Quando o Bloco assumiu a Vereação em Lisboa, sabia que um dos temas mais importantes seria o da mobilidade e transportes. Desde a extensão do metro à zona ocidental, até à necessária recuperação da Carris com mais autocarros, motoristas, horários e novas rotas. Não esquecemos a delapidação que os transportes em Lisboa tiveram com o governo PSD/CDS. Desde que o Bloco está na CML a CARRIS tem mais motoristas, já há 191 novos autocarros a circular, outros 200 em compra, 15 elétricos articulados em concurso, novas 18 carreiras, reabertura dos elétricos 24 e 18, para além do Plano de Mobilidade para a Zona Ocidental que foi cumprido com mais carreiras e horários.

O número de passageiros da CARRIS também aumentou, fruto da redução do preço do passe que resultou também do acordo firmado pelo Bloco de Esquerda para a Governação da Cidade.

No entanto, o que foi conquistado é apenas uma peça necessária uma cidade com mais mobilidade e melhor ambiente. Ter Lisboa cidade verde na lapela não nos salvará da extinção em massa nem dará melhor qualidade de vida a quem vive e trabalha em Lisboa.

A expansão do Metro para a zona ocidental de Lisboa e para Loures tem de se tornar uma realidade. Milhares de carros poderão deixar de vir de Cascais e de Loures para Lisboa e as cerca de 150 mil pessoas da zona ocidental finalmente estarão realmente integradas na mobilidade da cidade. A pressão do Bloco fez com que o Metro na zona ocidental fosse parte do programa de governo da cidade mas falta a sua concretização. Nem um passo para trás nesta matéria.

Por outro lado, o Metro  de Lisboa tem sido motivo de reclamação diária em Lisboa. Obras como as do Metro de Arroios são um fracasso. Para deixar de optar pelo transporte de carro, o metro tem de ter uma resposta mais rápida, confiável e ser o transporte de referência para circular na cidade, tal como acontece em outras capitais europeias.

A rede de bicicletas municipais partilhadas já demonstrou ser uma boa alternativa para a mobilidade em Lisboa. No entanto, e apesar do enorme sucesso que estavam a ter, houve um interromper de investimento no seu alargamento. Várias zonas de Lisboa ainda não têm nem ciclovias, nem bicicletas partilhadas. Novamente, a zona ocidental é uma mancha em branco quanto a este serviço. É necessário expandir a rede de ciclovias e bicicletas a toda a cidade.

Face à ideia de PSD, CDS e PS para que o rio Tejo se torne um recurso para o surgimento de transportes privados, o Bloco votou contra. São mais que conhecidas as dificuldades do transporte público fluvial que transporta milhares de pessoas diariamente. É aí que temos de investir. Mais e melhor transporte público fluvial. Este investimento deve seguir o que é feito em outras cidades europeias e aproveitar para descarbonizar esta forma de transporte. Mais barcos, mais sustentabilidade, melhor ambiente.

Fernando Medina anunciou que a zona da Baixa-Chiado, em Lisboa, passará a ser "zona de emissões reduzidas" onde a circulação automóvel será reduzida ao "mínimo indispensável". Para além de não explicar sequer como o vai fazer, não tem em conta que esta zona já nem a mais poluída de Lisboa.

Temos de ir mais longe. Estudos indicam que a zona do Cais do Sodré, 2ª circular e Parque das Nações já são mais poluídas que a Avenida da Liberdade. A proposta de proposta de Medina para a redução de carros é insuficiente e pouco ambiciosa. Outras cidades da Europa já avançaram para zonas sem carros. Isso tem de ser feito com a associação de mais e melhores transportes. A descida dos preços dos passes que o Bloco em Lisboa fez avançar foi o 1º passo. De seguida temos de investir nos transportes públicos para que seja possível ter uma cidade mais saudável e com menos impacto para o ambiente.

Não se esgotando a questão ambiental da cidade de Lisboa nos transportes, é importante não esquecer duas das lutas mais importantes a nível ambiental na cidade: A expansão do aeroporto Humberto Delgado e o aumento de tráfego de navios de cruzeiro devido ao Terminal de Cruzeiros.

O Bloco de Esquerda fez aprovar na CML que fosse realizado o primeiro estudo de impacto na saúde e no ambiente do aeroporto em Lisboa, desde que ele foi construído. No entanto, sem qualquer tipo de respeito pela lei e pelo ambiente, o governo fez avançar as obras de expansão. Este luta determinará o futuro da saúde pública em Lisboa e do ambiente face à emergência climática.

O Terminal de Cruzeiros é um problema mais invisível que o aeroporto mas não menos grave. Os navios de cruzeiro são responsáveis por cerca de 3,5 vezes mais emissões de óxido sulfúrico e por cerca de um quinto das emissões de óxidos de nitrogénio emitidos por toda a frota de automóveis em Lisboa durante um ano. Lisboa é a cidade europeia que mais navios de cruzeiro recebe e isso significa também um elevado número de emissões poluentes com largas quantidades de dióxido de enxofre e de óxidos de azoto, partículas finas e ultrafinas, entre outros poluentes. Face a isto o Bloco apresentou proposta para restringir estes navios na cidade e para que se force a opções por fontes de energia não poluentes.

Uma cidade para ter futuro não pode desprezar a emergência climática em que vivemos. O sistema de transportes é determinante na qualidade de vida e ambiente de uma cidade. Lisboa tem de ser verde nas ações. Grande parte dessas ações pressupõe que não se brinque à neutralidade carbónica e que se invista seriamente em transportes públicos de qualidade e não poluentes.

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