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A tempestade, no país e na EDP…

São dias de tempestade, não só atmosférica como na própria EDP. Essa é devida ao anúncio da venda de seis barragens por 2,2 mil milhões de euros.

Enquanto escrevo, milhares de trabalhadores do setor da energia estão a dar o seu melhor para repor a luz em todas as casas. Vários trabalhadores do Ribatejo foram já chamados para o Norte do país. Tal como eu, que trabalhei no piquete de avarias durante 11 anos, muitas pessoas estão hoje dando todo o seu esforço para que a luz seja mesmo para todos!

São dias de tempestade, não só atmosférica como na própria EDP. Essa é devida ao anúncio da venda de seis barragens por 2,2 mil milhões de euros.

Triste sina esta a de um país e dezenas de milhares de trabalhadores que constroem um futuro para depois ele ser entregue a acionistas privados cuja especulação é desmantelar para lucro imediato.

Longe vai o tempo da nacionalização da energia. A nacionalização e fusão das 13 empresas então existentes permitiu construir uma vastíssima rede e fazer chegar o progresso e a dinamização económica a todo o território nacional, nomeadamente com o processo de eletrificação rural. Centenas ou milhares de aldeias festejaram a chegada da luz tornando a lâmpada doméstica, ou pública, o frigorífico ou o ferro de engomar elétrico coisas democraticamente vulgares e elementarmente úteis ao progresso.

Estes 43 anos, desde a criação da EDP pública, são também o percurso e as vivências de dezenas de milhares de trabalhadores que construíram linhas com ferramentas e processos rudimentares, comparados com os de hoje, dezenas de pessoas perderam a vida a trabalhar e muitas mais carregaram o “fado” de acidentes de trabalho para que fosse realidade a construção do “direito público à luz”.

As várias fases de privatização da EDP renderam ao Estado cerca de 10.788 milhões de euros. Ora, acontece, que desde o início da privatização até hoje, o Estado português perdeu – pelo menos – 4 mil e 53 milhões de euros. Só os lucros da EDP já superam em mais de 4 mil milhões o valor em que foi vendida!

O Estado gere mal, dizia então todos aqueles que queriam alienar os ovos do galinheiro e depois venderam as próprias galinhas.

Pelo caminho também ficaram as assinaturas de António Guterres, Jorge Sampaio, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho e Cavaco Silva. Todos eles assinaram as várias fases da privatização da EDP.

O Estado gere mal diziam ilustres figuras do próprio Estado. O resultado está à vista: os lobos estão à solta!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Energia e Águas de Portugal, SIEAP.
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