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José Mário Branco saíu de cena, mas não morreu...

O maior criador de música portuguesa de todos os tempos, a par de José Afonso, saíu de cena, mas não morreu... Porque os génios vivem para sempre! Por Carlos Vieira
José Mário Branco (1942-2019)
José Mário Branco (1942-2019)

“Há princípios e valores
Há sonhos e há amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho”
(última estrofe de “Do que um homem é capaz”, José Mário Branco)

Liguei o rádio e ouvi cantar José Mário Branco. Estranhei de tão inusitado. Ainda assim precipitei-me: “Novo disco!?...” Logo a seguir, ele a falar numa entrevista que já tinha ouvido há muito. E um negro pressentimento arrepiou-me a alma. O locutor confirmou: “Morreu um dos nomes maiores da música de intervenção”. Eh, pá! Esse era o rótulo que ele mais repudiava, por ser redutor e mentiroso. “Então e os outros não intervêm?... Esse labéu, uma etiqueta inventada no PREC para a esquerda dizer “estes são os nossos!” e para a direita dizer “estes são os deles! (…). “Então, eu sou de intervenção e o Tony Carreira não é?...Eu alguma vez levei 12 mil mulheres para o Pavilhão Atlântico?… Não, ele intervém muito mais do que eu!” (…) “O Zeca Afonso publicou em disco 157 canções da sua autoria; fala de política, claro, mas fala de amor, fala da morte, da infância, das memórias, fala de tudo. Chamar cantor de intervenção ao Zeca Afonso seria extremamente redutor” (...) “Há sempre um compromisso, nem que seja o de não assumir o compromisso, que é um compromisso também”, disse no debate “No canto não há neutralidade”, no Fórum Socialismo, do Bloco de Esquerda, em 2018.

Sim, foi um cantor militante, porque, como ele disse numa entrevista a Viriato Teles (Se7e, 14.04.82): “cada vez tenho mais consciência do meu compromisso com a vida, com o povo, com a arte (...)” E, noutra entrevista a Armando Carvalheda, na Antena 1, em 31.05.2018: “Ser de esquerda é como ser um arco tenso apontado ao futuro. A seta ainda não partiu mas já estás preparado. Não sou eu que disparo, mas as massas. O erro foi pensar que eram as pessoas esclarecidas que fazem as revoluções. São as grandes massas do povo. Por isso é que o Capitalismo fez essa coisa inteligente que é controlar essas grandes massas sem pôr grilhões, mas por dentro da cabeça.”

JMB começou por ser da Acção Católica até perceber que a hierarquia da Igreja era cúmplice da ditadura. Ainda jovem aderiu ao PCP (foi preso pela PIDE durante cinco meses), mas por discordar da orientação do partido de enviar os militantes para a guerra colonial fazer trabalho político junto dos soldados, acabou por se exilar em Paris (só em França existiam 80 mil desertores e refratários da guerra colonial). Já depois do 25 de Abril, foi fundador da UDP e do PCP(R). Também colaborou com o PSR. E ajudou a fundar o Bloco de Esquerda. A sua exigência, na vida como na arte, levaram-no a sucessivas dissidências. Com ele aprendi a não tergiversar nos princípios, mais do que na coerência, muitas vezes pretexto para o imobilismo. Fundou no 1º de Maio de 1974, o Colectivo de Acção Cultural, mais tarde designado GAC – Grupo de Acção Cultural “Vozes na Luta”, o mais marcante grupo de música de raíz tradicional, mas com letras alusivas à vida e à luta dos trabalhadores das fábricas e dos campos, com quem se solidarizou activamente. Dos magníficos quatro álbuns gravados, realça-se o “Pois Canté!” uma jóia única da música popular portuguesa.

Quase toda a minha vida foi iluminada pela arte de JMB. Na adolescência, ao ouvir na rádio, enquanto “estudava” noite fora (quando os pides e os censores dormiam), as canções dele, do Zeca e do Sérgio, que acalentavam a resistência à ditadura; no 25 de Abril, pelo espírito revolucionário das suas canções, a solo e no anonimato colectivo do GAC; mais tarde, “quando o mês de Novembro se vingou” foi novamente a sua música que ajudou a confortar e estimular a resistência, até soltar esse grito catártico do “FMI”, contra a violência do capitalismo na sua faceta neoliberal, destruidora de vidas e de sonhos; enquanto pai, quando adormecia os meus filhos a cantarolar a “Ronda do Soldadinho”, a “Cantiga do Leite”, “Quando eu for grande...”, “Os Meninos de Amanhã”, entre outras do Vitorino, do Zeca, do Sérgio e do Jorge Constante Pereira; em momentos de extrema emoção, como no 1º de Maio de 2004, dia do meu aniversário, ao assistir, no Coliseu do Porto, ao memorável concerto de apresentação do álbum “Resistir é Vencer”, com Fausto e Sérgio Godinho como convidados especiais. Igualmente inesquecível foi o espectáculo “Três Cantos”, com estes três cúmplices musicais, em 2009, também no Coliseu do Porto. Com eles, o espírito de Abril, apesar dos retrocessos políticos, continuava a fazer bater de emoção os nossos corações. E o Zeca revivia neles e no público!

Tal como Zeca Afonso, também José Mário Branco foi um grande poeta. Não gosto de superlativar, mas ombreio o Zé Mário Branco com o Zeca Afonso (de quem ele disse ser “um filhote”, juntamente com o Sérgio e o Fausto), um pouco mais acima, no meu pódium musical, do Sérgio Godinho, do Fausto, do Carlos Paredes, do Vitorino, do Janita, do GAC, dos Gaiteiros de Lisboa (formados por três membros do GAC, que contou com a participação de JMB no CD “Invasões Bárbaras), do Fernando Lopes Graça, da Amélia Muge, do Júlio Pereira, do João Loio, do Pedro Caldeira Cabral, do Jorge Palma, seguidos do Eurico Carrapatoso, do Zeca Medeiros, do J.P. Simões, do Rui Veloso e talvez mais um ou dois de que me esteja a esquecer...). E quase todos eles foram influenciados por aqueles dois génios que tão prematuramente deixaram de poder criar mais obras-primas.

A erudição musical e a genialidade das composições e dos arranjos ou orquestrações de JMB ficam bem patentes na suíte “A Noite” ou em “Nem Deus nem Senhor”; nos arranjos jazzísticos de “Não te prendas a uma onda qualquer” ou “Sopram ventos adversos/”Maiden Voyage”, sobre tema de Herbie Hancock; no Funky de “Vá, vá...” e “Linda Olinda”; no recurso aos ritmos tradicionais, como na chulinha “Eu vim de longe, eu vou p'ra longe”, ou “Eu vi este povo a lutar (Confederação)”; nas marchas populares “Qual é a tua, ó meu!”, “Capote preto, capote branco”; na criatividade e modernidade de “Inquietação”, um fado castiço com roupagens de jazz. E, por falar em fado, como foi notável a conversão de JMB que, talvez influenciado pelo preconceito de Lopes Graça, escreveu em “A cantiga é uma arma”: “O faduncho choradinho/ de tabernas e salões/semeia só desalento/ misticismo e ilusões”, mas acabou por reconhecer a autenticidade da canção de Lisboa, pela mão e pela escrita da sua companheira Manuela de Freitas, e a compor fados tão belos como “Raiz”, para Carlos do Carmo, “Fado da Tristeza” e “Fado Penélope” e a produzir para os novos fadistas, como Camané ou Kátia Guerreiro, reabilitando o fado tradicional, extirpando-o das contrafacções alienantes do Estado Novo (“Fado, Futebol e Fátima”) e dos clichés para “turista ver”.

O legado do JMB às novas gerações de músicos, contido na sua obra, é a exigência de autenticidade, de não abdicar nunca de nenhum dos três pilares da arte: técnica (conhecimento, estudo), estética (gosto e criatividade) e ética (relação/compromisso com a comunidade). A sua luta como compositor, arranjador e produtor foi sempre pela qualidade e exigência artística, contra a mediocridade e a ignorância que considerava mais perigosas do que as bombas atómicas (e não é que Trump, Bolsonaro e quejandos lhe estão a dar razão!) E também não descurava a prosódia, a música das palavras, já que, ao contrário do que arengavam os pós-modernistas, pretensamente inovadores, a forma interessa porque “é a materialização do conteúdo”.

José Mário Branco, cantautor e ator, mete o acórdeão na mala (como fez a sua personagem de músico ambulante, no concerto “Ser Solidário”, a obra-prima cuja gravação foi recusada por sete editoras) e sai de cena, pela Esquerda Alta!

BRAVO! Obrigado, José Mário Branco!

Texto de Carlos Vieira e Castro

Sobre o/a autor(a)

Ativista associativo na defesa dos Direitos Humanos. Militante do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990
(...)

Resto dossier

José Mário Branco 1942-2019

José Mário Branco, a voz da inquietação

Este dossier é a singela homenagem do esquerda.net ao artista, cantor, compositor e lutador contra as opressões. É um dossier com textos publicados após o falecimento, mas também com documentos publicados anteriormente no esquerda.net

Eu não cantei com o Zé Mário…

Confessei ao Zé Mário o meu arrependimento [por não ter cantado com ele em Lisboa] e ele disse-me: "tranquilo pá… existirão outras oportunidades!!". Mas nunca mais existiram… ou talvez sim! Ainda ontem cantei que “A cantiga é uma arma” (contra a burguesia) no Val do Límia. E continuarei a cantar!! Por Xose Constenla.

José Mário Branco fotografado em casa para a revista BLITZ. Foto de Rita Carmo

José Mário Branco: “A cantiga só é arma quando a luta acompanhar”

“Se decidirem mudar de vida, contem comigo. Eu não esqueci que A Cantiga é uma Arma. Mas a cantiga só é arma quando a luta acompanhar”. Ouça o áudio e leia aqui a transcrição da mensagem enviada por José Mário Branco aquando da projeção, no Desobedoc, em abril de 2014, do filme “Mudar de Vida, José Mário Branco, Vida e Obra”, de Pedro Fidalgo e Nelson Guerreiro.

José Mário Branco (1942-2019)

De longe, para muito longe

Sim, foi um músico genial, exigentíssimo, inventor da maravilha em meia dúzia de acordes e em arranjos dissonantes. Sim, foi um poeta da música raro, militante da palavra ardente, às vezes mordaz outras vezes emocionante, sempre desinstalador. Por José Manuel Pureza

Jose Mário Branco 1942-2019

O representante de todos os ouvintes futuros

Lisboa vai ser homenageada com o nome José Mário Branco numa das suas ruas, praças ou avenidas. Numa conferência em 2018, organizada pelo Bloco de Esquerda, falou sobre o processo de criação. Retirei umas notas que vale a pena deixar aqui. Por Tiago Ivo Cruz

José Mário Branco (1942-2019)

José Mário Branco saíu de cena, mas não morreu...

O maior criador de música portuguesa de todos os tempos, a par de José Afonso, saíu de cena, mas não morreu... Porque os génios vivem para sempre! Por Carlos Vieira

José Mário Branco (1942-2019)

Inquietação, inquietação, é só inquietação…

O Zé Mário não é só um músico, eu vejo-o como um construtor de canções, um “influenciador” dando sempre de si a outros artistas que por sua vez nos deram a nós grandes momentos de Cultura. Por Helena Pinto

José Mário Branco, um compositor e arranjador que vai sempre à frente

Abril, mês de todos os sonhos, todos os projectos, todos os delírios. E lá andava o Zé Mário em todas as frentes e, sobretudo, na frente da música. Por José Fanha.

Momentos galegos do Zé Mário Branco

Dou conta de três situações que vivi e deixam, na minha opinião, bem palpável a enorme personalidade de um músico, criador de múltipla expressão e imenso homem de palco, assim como o permanente compromisso de um lutador sem concessões. Por Carlos Méixome.

Do Zé e do Zeca, com a Galiza ao fundo

O Zé Mário Branco fica para sempre no melhor deste povo da Galiza, consciente da sua dependência colonial, dos seus direitos negados e da pilhagem económica, linguística e cultural, com o qual foi tão solidário. Por Antón Mascato.

Criatividade e musicalidade postas ao serviço de uma cidadania inteira e vertical

Escorado nessa amizade, fui acompanhando o seu percurso no Teatro do Mundo, na UPAV e noutros palcos, admirando-lhe a criatividade, a musicalidade e a oratória, postas ao serviço de uma cidadania inteira e vertical. Por Manuel Pedro Ferreira.

Muito mais vivo que morto

Foi através da permanente inquietação por saber que a fome e a sede existem, a do estômago e a de viver, que José Mário Branco se apaixonou pela música e com ela fez caminho até há pouco. Por Pedro Fidalgo.

José Mário Branco e Luís Cília. Regresso a Portugal, em abril de 74. Reprodução de imagem da RTP Arquivo.

O Zé Mário é, sobretudo, um excelente músico

Em declarações ao esquerda.net, o compositor e intérprete musical Luís Cília refere que Zé Mário era "um excelente compositor de canções": "Isso é o principal. Mas, a vários níveis, o Zé Mário Branco teve um trabalho muito importante", frisa.

Foto de Arlindo Camacho.

“Só guardamos o que demos”

A resposta do meu pai foi uma das maiores lições de humanidade que recebi na vida. Partilho agora com vocês uma parte desta mensagem. Façam bom uso dela! Por João Branco.

José Mário Branco (1942-2019)

A Cantiga é uma Arma

O trabalho, a vida do Zé Mário, são demasiado importantes, demasiado essenciais para nos limitarmos a admirá-lo ou, mesmo, a venerá-lo, do que ele não gostaria mesmo nada… Por Mário Tomé

O Zé Mário nunca deixou que pensassem pela sua cabeça

Em declarações ao esquerda.net, Afonso Dias, que foi um dos fundadores do Grupo de Acção Cultural (GAC), afirmou que José Mário Branco, a par de ser um músico, arranjador e criativo brilhante, era um “cidadão livre e independente”.

O Zé Mário conhecia tão bem o Zeca que se permitiu fazer o que fez no Cantigas do Maio

Quero recordar o que me disse uma vez o Zé Mário acerca da música do Zeca: “é uma questão de higiene ouvir toda a discografia do Zeca, e eu faço-o pelo menos uma vez por ano”. Foda-se que tenha de ser tão duro passarmos a ter mais uma discografia para ouvir todos os anos, por questão de higiene. Por Carlos Guerreiro.

José Mário Branco, operário das artes do espectáculo

José Mário Branco, operário das artes do espectáculo; nem mais, um operário. Um mestre como os mestres que admiravas, sapateiro, padeiro, pescador, mestres da vida na arte da presença. Por Rui Júnior.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer... ZMB maior que a música

José Mário Branco foi muito mais do que cantor de intervenção. É inquestionavelmente um homem com uma cultura musical abrangente, o melhor arranjador de Música Popular, compositor de novos fados singular, como provam os trabalhos discográficos com a sua mão, ouvidos e sensibilidade para Camané. Por Soraia Simões de Andrade.

Vídeos de José Mário Branco

O Esquerda.net juntou uma entrevista exclusiva, a intervenção no Fórum Socialismo 2018 e várias canções de José Mário Branco.

Francisco Louçã sobre José Mário Branco

"Ouvi-o, então exilado em França, nos discos que aqui se distribuíam, era a força genial da música popular portuguesa contra a ditadura." Por Francisco Louçã.

José Mário Branco (1942-2019) - Foto do Fórum Socialismo 2018

Nota de pesar do Bloco sobre a morte de José Mário Branco

O Bloco de Esquerda divulgou uma nota de pesar onde “presta homenagem ao destacado artista, cantor e compositor” e apresenta condolências a Manuela de Freitas, à família e aos amigos.

José Mário Branco (1942-2019)

Morreu esta terça-feira José Mário Branco, músico que ao longo de meio século de carreira deixou a sua marca na cultura portuguesa e em várias gerações de artistas. O velório realiza-se esta quarta-feira a partir das 17h no salão nobre da Voz do Operário. O funeral sai deste local às 17h30 de quinta-feira para o cemitério do Alto de São João.

A ocupação da fábrica LIP em Besançon durou anos - Imagem lesutopiques.org

O outro aspeto do Maio de 68: a greve geral com ocupação dos locais de trabalho

“No princípio de junho [de 68], havia sete milhões de trabalhadores em greve, na França toda. Não havia gasolina, não havia restaurantes abertos” destaca José Mário Branco ao esquerda.net, no seu testemunho sobre o Maio de 68. Entrevista de Carlos Santos

"No canto não há neutralidade", por José Mário Branco

Transmissão na íntegra da sessão "No canto não há neutralidade", no Fórum Socialismo 2018.

José Mário Branco (1942-2019) - Fotos do arquivo de José Mário Branco http://arquivojosemariobranco

A oficina da canção

Texto de José Mário Branco, sobre o processo de produção das canções, desde a sua invenção até que chegam aos ouvidos e às mãos das pessoas. Foi publicado originalmente em passapalavra.info, em quatro partes (disponível também no dossier Fórum Socialismo 2018 do esquerda.net)

Maio de 68 por José Mário Branco

José Mário Branco viveu de perto o Maio de 68 e fala sobre esses tempos em conversa com Carlos Santos.

Entrevista a José Mário Branco

Entrevista de Carlos Santos a José Mário Branco em julho de 2018 sobre a disponibilização online do arquivo da sua obra, a publicação do álbum 'Inéditos 1967-1999' e a perseguição aos imigrantes nos EUA e na Europa.

“Não vejo grandes hipóteses de uma força política proteger os desgraçados que querem fugir do inferno se não tiver uma visão de classe no seu sítio”, afirma José Mário Branco

“Uma saída positiva para as grandes massas, nunca está na moderação, está na radicalidade”

Ao esquerda.net, José Mário Branco fala da disponibilização pública do seu arquivo, do seu último álbum, dá-nos um importante testemunho sobre o Maio de 68 e afirma que “é terrível” a perseguição aos imigrantes. Entrevista de Carlos Santos.

José Mário Branco - Foto publicada no site da FCSH

Inéditos 1967-1999, de José Mário Branco

Uma viagem a três décadas de trabalhos essenciais e uma oportunidade para registar estilos diferentes, canções em diversos tons e línguas, documentando uma história do pensamento, das intervenções e da música de José Mário Branco. Por Francisco Louçã

Arquivo de José Mário Branco disponível na internet a partir desta terça-feira

A apresentação do arquivo digital, que resulta de um trabalho de investigação do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova de Lisboa, está agendada para esta terça-feira, às 17h, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. A iniciativa conta com a presença de José Mário Branco.