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A admirável recuperação do Buraco do Ozono

Esta semana, o Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus, através das medições de concentração de ozono realizadas pela missão Copernicus Sentinel da Agência Espacial Europeia, anunciou que o buraco de ozono está a recuperar a uma taxa de 1% a 3% por década.

Em 2019, o buraco de ozono atingiu uma extensão máxima de 10 milhões de quilómetros quadrados, cerca de metade do registado nas últimas décadas. Prevê-se que o buraco de ozono do Pólo Norte possa recuperar completamente até 2030 e a recuperação da ozonosfera sobre o Pólo Sul possa ocorrer até 2060.

Esta recuperação deve-se sobretudo ao precioso trabalho conjunto entre a comunidade científica e os decisores políticos, levando à implementação de medidas cujo efeito é indubitavelmente benéfico para toda a humanidade. Nos anos 80, os cientistas alertaram para o desaparecimento da camada de ozono, responsável pela filtragem da radiação ultravioleta solar, e das respetivas consequências para a vida, para os ecossistemas e em particular para os seres humanos (cancro de pele e cataratas, por exemplo).

Nessa altura as recomendações da comunidade científica foram seguidas, tendo sido assinado o Protocolo de Montreal que visava a eliminação da emissão de clorofluorcarbonetos, sobretudo difundidos na atmosfera por aerossóis (latas de sprays variados) e pelos frigoríficos dos anos 80. Desde que as medidas do Protocolo de Montreal começaram a ser implementadas decorreram cerca de 30 anos e são já perfeitamente verificáveis os efeitos benéficos para a ozonosfera.

A admirável recuperação do Buraco de Ozono é um caso exemplar de que quando se seguem as recomendações da comunidade científica chegamos a um resultado que serve toda a humanidade. A ciência que está na base deste trabalho de recuperação é a mesma ciência que explica as alterações climáticas. Logicamente, para combatermos as alterações climáticas é impreterível implementar o mesmo método.

É urgente que as recomendações da comunidade científica sejam seguidas no combate às alterações climáticas, da mesma forma como foram seguidas para combater o Buraco do Ozono, para bem da humanidade.

Artigo publicado em LUX24, a 11 de novembro de 2019

Sobre o/a autor(a)

Investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra
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